segunda-feira, 30 de abril de 2012

Brasil é o último em inclusão digital nas escolas



A inclusão digital ainda não avançou nas escolas brasileiras, como mostra a pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base em números do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Na pesquisa, o Brasil ficou em último lugar, em uma lista de 38 países avaliados em relação ao número de computadores por aluno. As escolas brasileiras oferecem, em média, um computador para cada 6,25 estudantes - ou 0,16 computadores por aluno.

A Austrália é o mais bem colocado, com 1,03 alunos por computador. Na China, a média é de 1,75, enquanto a média dos países da OCDE (composta por 34 nações desenvolvidas) é 1,69. Na Colômbia, o mais bem colocado da América Latina, a média é de 2,85 alunos por máquina.

O estudo mostra ainda que 53,3% dos estudantes brasileiros analisados declaram ter um computador em casa - ou seja, metade dos alunos no país não tem acesso a computador em casa. A proporção, porém, é 129% maior que em 2000, quando apenas 23,2% afirmaram possuir o equipamento. Apesar do crescimento expressivo, o país ainda está longe de atingir o patamar das nações mais ricas. A média registrada pelos países-membros da OCDE foi de 94,3%.

Em 2011, segundo dados do Inep, 9,5 milhões de alunos dos ensinos fundamental e médio (24% do total),  estudavam em escolas sem laboratório de informática.
De acordo com Daniel Cara, Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, pelo menos dois motivos explicam a péssima colocação do Brasil:

- A renda familiar, que se liga ao fato de terem ou não computador e internet em casa. E a falta de infraestrutura das escolas, que está diretamente relacionada ao Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi, com valores mínimos por aluno para ensino de qualidade em cada nível educacional).

Nesse custo, está incluída a presença de laboratórios de informática com banda larga - diz Cara, sobre uma conta que é parte de um parecer aprovado pelo Conselho Nacional de Educação, mas que aguarda análise do MEC há um ano.

- Porque não é só ter computador. Se esse ranking considerar também internet, e com banda larga, a situação brasileira fica bem pior. 
 
Presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação e secretária de Educação de São Bernardo do Campo (SP), Cleuza Repulho cita outro obstáculo:

- A capacitação de professores é o maior desafio. Acabamos de aderir ao Um Computador por Aluno (UCA, programa federal de distribuição de netbooks) e estamos para receber 15 mil netbooks. Mas, antes, tivemos de instalar fibra ótica praticamente na cidade toda. E estamos tendo de dar cursos aos professores; já vi aluno tendo que dizer "dá enter" para professor que não sabia o que fazer. A questão é que muitas cidades não têm recurso próprio para tudo isso, e o volume de recursos repassados a elas ainda não é suficiente.

- Falta uma política nacional de inclusão digital sustentável, e sustentável quer dizer não só a doação de computador e de conexão à internet, como faz a maioria dos programas públicos, mas a criação de uma proposta pedagógica para isso, com capacitação continuada do professor e acompanhamento do impacto que essa inclusão teve - completa Rodrigo Baggio, presidente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), para quem, mais importante do que o número de computadores por aluno é o dado socioeconômico que mostra que metade dos alunos não tem computador em casa.

Por meio da assessoria, o MEC afirmou que, pelo Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), entre 2000 e 2010, "foram adquiridos 83.620 laboratórios de informática, beneficiando 67 mil escolas urbanas e rurais e atendendo 44 milhões de alunos. Além disso, o MEC está capacitando cerca de 500 mil professores e gestores para uso das novas tecnologias em sala de aula. Ao todo, 54 mil escolas urbanas receberam internet pelo Programa Banda Larga". 

Para Sophie Vayssettes, pesquisadora da OCDE que preparou o levantamento, cabe ao poder público compensar essa disparidade social, dando acesso aos computadores nas escolas. “Muitas famílias não tem renda para ter um computador em casa. Mas políticas devem ser implementadas para permitir uma correção dessa situação e dar esse acesso em locais públicos, como as escolas”, disse ao Estado.
 
“O aprendizado do uso de computadores é primordial para o futuro desses jovens “, disse Sophie. “Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática têm 25% a mais de chance de encontrar um trabalho. Portanto, preparar os alunos ao século 21 é fundamental para qualquer sistema de ensino”, alertou.

Segundo a pesquisadora, não é apenas com o objetivo de encontrar um posto de trabalho que a informática deve ser ensinada na escola. "Cada vez mais, muito do que fazemos está sendo limitado à internet, como a compra de passagens aéreas. Não ter acesso à computadores também é uma forma de exclusão social", completou.
 

Fonte: O Globo - 30/06/2011


4 comentários:

  1. Fazer o que,infelizmente nosso Brasil precisa acreditar nos seus filhos,pra sermos uma nação de excelência...muito boa sua notícia, parabéns!

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  2. É uma lástima constatarmos as deficiências no Brasil no que diz respeito à Educação, e mais ainda ao uso da tecnologia nas escolas.
    Parabens pela matéria. Excelente texto.

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  3. O Brasil precisa melhorar muito no que diz respetio a Educação, muitos alunos não tem acesso a escola e querem que eles saibam como utilizar as tecnologias...
    Embora o uso da internet otimize muito as aulas, os professores devem medir seu uso em determinadas escolas (daquelas que não tem muitos recursos), pois ao invés de se tornar uma excelente ferramenta ela pode ser um motivo de exclusão.

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  4. Olá Anita!
    Apesar da sua matéria falar da informática nas escolas, ela não fala da utilização, seria ainda melhor uma matperia mais regional, mas a metéria é pertinente e importante e a formataçao do blog esta dentro do solicitado, considero que você fez um bom trabalho.
    Abraço!
    weiser

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