RESUMO DE ALFABETIZAÇÃO 1
AULA 1 - livro didático - CONCEPÇÕES DE ALFABETIZAÇÃO:
A ORIGEM DO MITO
Concepções de
alfabetização
Por volta do século
XVI, pensadores humanistas acreditam que a educação transformaria o homem e o
próprio teria controle de seu destino. Na idade média a educação foi privilégio
dos nobres, eles tinham que confiar nos padres que eram os mestres. A produção
cultural era controlada pela igreja, e era restrito. Alguns clássicos foram
proibidos, ex: obras dos maiores clássicos de literatura. Todos deveriam ter
acesso naquela época, no entanto, os interesses que envolviam o acesso do
conhecimento e educação determinava o que podia ou não ser apreendido ou
conhecido.
A chegada da
revolução francesa trouxe idéias de república democrática, foi onde a
escolarização teve via de acesso à cultura, a escola se torna universal e
gratuita; e
Sobre o controle do Estado, uma escola
para todos. A alfabetização surge como condição para inclusão do indivíduo no
modelo de sociedade que se estruturava, o domínio da leitura, da escrita ganhou
status de promoção social, pois o acesso ao conhecimento específico significava
saber mais, poder mais do que aqueles limitados ao trabalho manual,
culturalmente desprestigiado.
AULA 2 E 3 – ALFABETIZAÇÃO 1
Ação educativa
É a pessoa que não
tem habilidade de leitura e escrita, e nem cálculos para desempenhar seu
desenvolvimento pessoal e profissional, é considerada analfabeta funcional.
Segundo pesquisa do INAF do país, revela as condições de alfabetizo da
população que majoritariamente, integra força de trabalho do país, e é formada
por consumidores, editores e chefes de família, focando nessa população, a
pesquisa visa à habilidade básica para a população viver melhor em uma
sociedade letrada, para que possam ser exercidos com autonomia os seus direitos
e responsabilidades.
O alfabetizo se
divide em quatro níveis:
·
ANALFABETISMO: são considerados às
pessoas que sem condições de realizar tarefas simples, que envolvam leitura de
palavras, frases, ainda que uma parte datas consiga ler números familiares
(exemplo: número de telefone, preços, etc.).
·
ALFABETISMO NÍVEL RUDIMENTAR: aquele
que já consegue localizar uma informação explícita em textos curtos e
familiares. (como anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e
operações simples, manusear dinheiro para pagamento de pequenas quantias etc.
·
ALFABETISMO DE NÍVEL BÁSICO: são
pessoas funcionalmente alfabetizadas, elas já lêem, compreendem textos de média
extensão, localizam informações, lêem números na casa dos milhões etc.
·
ALFABETISMO NÍVEL PLENO: pessoas cujas
habilidades não impõem mais restrições, para compreender, e interpretar textos.
A escolarização brasileira teve um crescimento rápido, na educação de jovens e
adultos.
Com a
universalização do acesso e estimulo à permanência na escola, o atendimento se
universalizou, o ensino médio se ampliou nas ultimas décadas, vem crescendo o
acesso ao ensino superior, graças a programas de financiamento educativo e
programas de educação de jovens e adultos. O resultado do INAF mostra que houve
melhoria das capacidades de alfabetizo da população brasileira, embora seja
preciso investir muito na qualidade de educação para que a escolarização
garanta as aprendizagens necessárias a uma inserção autônoma e responsável na
sociedade.
Um fator
determinante na distribuição do alfabetizo, é a renda familiar, as pessoas com
níveis de renda maior, tiveram acesso a maiores níveis de escolarização, maior
oportunidade de acesso à informação e a cultura, acesso as melhores escolas
particulares de melhor qualidade, e também nas escolas públicas encontradas nos
melhores bairros. O INAF nos mostra os resultados da educação escolar, e
continua fornecendo uma abrangente visão dos problemas, nos permite ver como
agem de forma integrada a expansão das oportunidades educacionais e a piora/
melhora da qualidade de ensino, ele nos mostra que pouco nos adianta uma escola
de excelência que atenda a minoria; uma nova qualidade de ensino precisa ser
construída para dar continuidade nos estudos, trabalho e do exercício da
cidadania.
AULA 4 E 5 – ALFABETIZAÇÃO 1
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.
O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA LINGUAGEM
ESCRITA
EM CLASSES DO PRIMEIRO ANO DO ENSINO
FUNDAMENTAL
O ensino
fundamental, o único nível de ensino de matrícula obrigatória no país, sua
duração de oito anos foi ampliada para nove anos, essa etapa da educação
básica, trouxe um novo número de criança, embora alguns de seis anos
freqüentassem instituições pire escolares. Com a incorporação desse segmento no
ensino fundamental veio novos desafios, principalmente pedagógicos.
Para a área de
educação é preciso descobrir uma prática educativa, que trabalhe a criança como
eixo do processo e leve em conta as dimensões de sua formação. É fundamental,
que a ação educativa se baseie em uma orientação teórico metodológica, que
definam objetivos de ensino, organização e trabalho pedagógico, o tipo de
abordagem que se quer dar ao conhecimento, que considere a realidade sócio
cultural dos alunos e o contexto escolar. As crianças precisam participar de um
conjunto de atividades caracterizado por um ciclo de ações e procedimentos de
ensino aprendizagem,uma proposta de ensino, adequada, ela deverá ser validada e
reconstruída a partir do conhecimento que se tem das crianças, e também das
interações que se estabelecem entre o grupo escolar, para se tornar referencial
e se materializar.
A avaliação
diagnóstica é um procedimento de ensino a ser adotado, seu objetivo é
estabelecer relação entre a proposta de ensino, perfil pedagógico da turma, as
necessidades de aprendizagem de cada aluno. Letramento é o exercício efetivo de
ler e escrever para informar, interagir, para ampliar conhecimento,é a
capacidade de interpretar e produzir diferentes textos, de inserir-se
efetivamente no mundo da escrita.
O conceito de
alfabetização e letramento destacam duas dimensões importantes da aprendizagem:
Capacidade de ler e escrever. A apropriação da língua escrita: aprender ler e
escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita, e
decodificar a língua escrita.
ELEMENTOS PARA CONSTRUÇÃO DE UMA
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Existem várias
formas de aproximar a criança da cultura letrada, as crianças se envolvem com
entusiasmo, exploram diferentes materiais de leitura, manusear livros, jornais
e revistas, ouvir leituras dos contos, poemas, crônicas, brincadeiras, nosquais
leitura e escritas são objetos centrais, além desse contato com materiais
escrito, é importante que a ação pedagógica promova a participação das crianças
em práticas de leitura,na sua rotina de sala de aula, eles precisam interagir com
esse objeto do conhecimento. A leitura em voz alta pelos professores é um
momento em que se pratica a leitura com participação dos alunos, essa leitura
desperta o desejo e curiosidade das crianças, isso pode despertar o desejo de
ser leitor. O professor tem várias estratégias a ser trabalhada, mas qualquer
que seja a estratégia do professor às crianças que:
·
Reescrevam o texto com palavras mais
simples para expressar seu conteúdo;
·
Marquem partes dos textos lidos de
acordo com a informação requerida ou com objetivo da leitura;
·
Grifem palavras de acordo com o que se
quer ressaltar;
·
Façam resumos do que está escrito;
·
Façam anotações sobre o texto;
·
Realizem leituras individuais ou em
duplas( um aluno que já se apropriou do funcionamento do sistema de escrita
pode ler para outro que ainda não faz);
·
Realizem leituras teatralizadas de
textos ou de trechos de textos;
·
Realizem leituras com pausas planejadas
e contextualizadas, com perguntas que orientem a interpretação das crianças;
·
Realizem leituras seguidas de conversas
orientadas por questões previamente planejadas pela professora;
·
Produzam textos em pequenos grupos ou
em duplas (também se podem agrupar as crianças de forma que aquelas que já são
capazes de ler e escrever se façam de escribas do grupo);
·
Produzam textos com apoio de roteiros
definidos pelo coletivo.
Outras atividades
que ampliam e enriquecem o trabalho com o conteúdo dos leitores, que são
planejados como ampliação dos momentos de leitura, atividades que envolvem,
entre várias possibilidades, apresentação de peças teatrais, leitura de livros.
Os significados e sentidos produzidos quando usamos a língua oral e escrita, e
o plano das expressão (dos sons), que diz respeito às formas lingüísticas.
A compreensão da
natureza alfabética do sistema de escrita e desenvolvimento da consciência
fonológica integram esse processo e são impulsionados por aprendizagens que
promovem a competência simbólica das crianças. Na evolução psicogenética,
identificam-se três períodos.
Aula 6 – Cultura e linguagem:
A questão da oralidade
Um povo letrado não
é um povo ignorante.
A oralidade e a
cultura, tem um importante papel na produção de conhecimentos, pois ver a
cultura oral como forma “ mais atrasada”de transmissão de conhecimentos e
valores é desconsiderar o fato que a maioria dos conhecimentos que usamos no
dia a dia nos foi transmitida oralmente de forma narrativas, conversas,
conselhos, metáforas e parábolas. Considerar analfabetismo como sinônimo de
“ignorância” é uma produção ideológica que reconhece apenas a cultura escrita
como legítima de saber e desvalorizar a cultura oral tratando-a como uma
subcultura.
A narrativa como
forma de conhecimento
A narrativa é um
instrumento de produção e socialização do saber. Na antiguidade homens se
reunião em roda para ouvir e contar histórias, a humanidade foi compartilhando
saberes, planejando conquistas, avaliando derrotas; a roda, o círculo é o movimento
que induz e conduz a produção do conhecimento; aquele que se registra,
elabora, se alicerça, se amplia e se constrói.
Na antiguidade o
conhecimento é transmitido oralmente, cultivado e amplamente praticado. O
conhecimento era transmitido de geração para geração, através de histórias e
mitos; o ensino também era realizado pela transmissão oral do conhecimento,
diálogo entre mestre e aprendiz posteriormente registrados por escrito, sendo
reconhecida e valorizada a cultura oral e uma postura política pedagógica
essencial na construção de uma prática alfabetizadora emancipatória, que
conhece e respeita a variedade lingüística do aluno e conhecimento intuitivo,
prático que ele possui (produzido oralmente), aceita a língua que ele fala,
valoriza sua história, respeita sua identidade e reconhece seus diferentes
modos de aprender e produzir conhecimento.
AULA 7 - CULTURA E LINGUAGEM
A QUESTÃO DA ORALIDADE
A alfabetização não
pode ser tratada apenas os aspectos teóricos e metodológicos. A alfabetização é
a prática social, multidimensional e como tal deve ser abordada em suas
dimensões históricas políticas, sociocultural, antropológica, psicológica,
lingüística e pedagógica.
·
A perspectiva sociocultural - torna a
leitura e a escrita como práticas sociais e bens culturais e busca compreender
o valor simbólico da escrita nos diferentes contextos sociais.
·
A perspectiva pedagógica – investiga os
processos metodológicos e os procedimentos didáticos de ensino aprendizagem.
·
A perspectiva antropológica – prioriza
os processos de autonomização, subjetivação e reflexidade e volta-se para as
diferenças nas culturas de comunicação e processo cognitivos, entre culturas
orais e letradas, para redes de comunicação orais, e para uso e funções da
escrita em diferentes grupos sociais e culturais da escrita e processos de
acumulação, difusão, circulação e distribuição da escrita nos diferentes momentos
históricos, livros, imprensa, informática, bibliotecas, história da leitura, e
dos leitores, na história da alfabetização, no ensino na aprendizagem da
leitura e escrita.
·
A perspectiva psicológica –
investiga os processos cognitivos de aprendizagem da língua escrita e as
diferenças entre as estruturas de pensamento de indivíduos alfabetizados e não
alfabetizados
·
A perspectiva política – processo de
conscientização, que possibilita uma reflexão critica sobre sua própria
capacidade de refletir, sobre sua posição no mundo, sobre o próprio mundo.
As metodologias,
tradicionais da alfabetização de base associonista, reduz a alfabitização aos
aspectos de codificação e decodificação, e entende a aprendizagem da escrita
como transição da fala em sinais gráficos. Na abordagem associonista aprender a
ler e escrever é dominar a técnica de codificação e decodificação.Construir
significados e atribuir sentidos ao que se lê e escreve é fundamental ao
processo de apropriação da leitura e escrita. Para o processo de alfabetização
dos alunos das classes populares, o preconceito lingüístico trás conseqüências
extremamente negativas, contribuindo significativamente para a produção do
fracasso escolar.
AULA 10 - CONCEPÇÕES EPISTEMOLÓGICAS DA
ALFABETIZAÇÃO: a perspectiva mecanicista.
ALFABETIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA
MECANICISTA
A concepção
mecanicista de alfabetização é fundamentada na idéia de homogeneização de
padronização.
A ideologia
subjacente à concepção de alfabetização mecanicista é a mesma que conduz a
ciência como verdade absoluta, que a reduz a diferença à igualdade, à
padronização. Os interesses dominantes recaem sobre a educação, para que ela
seja vista como campo de aplicação de teorias pré – concebida, valorizando o
saber cientifico e esteja a serviço da manutenção das relações do poder.
O principal
interesse no Brasil, nas definições políticas, públicas para a educação era
investir em métodos, pois com um bom método, todos aprendiam sem dificuldade,
garantindo sucesso dos alunos na aprendizagem do processo de leitura e escrita,
fortalecendo a democracia e o crescimento econômico.
A abordagem
analítica propõe o processo de aprendizagem seja disparado pelo
reconhecimento global da palavra chave ou de frases.Nessa abordagem, o sentido
das palavras é constituído inteiramente pelo aluno, na tentativa de
construção de um texto .
No Brasil os adptos
do método sintético não adotaram a abordagem analítica permaneceu utilizando o
percurso da sopa de letrinhas, que misturado renderiam boas receitas, na década
de 1940, observou-se a tendência a misturar as duas abordagens. Alguns
educadores chamaram de método eclético ou misto. O importante era seguir
rigorosamente o que estava escrito, o professor seguiu tudo certinho como
consta no manual, saindo algo errado, a culpa nunca será do método, a avaliação
recai sobre os fatores externos, preferencialmente no
aluno.
Resumo Alfabetização 1
·
Aula 11 – concepções epistemológicas da
alfabetização (Mecanicista)
Os métodos de alfabetização atendia a
possibilidade do poder político saber e controlar o que era feito em sala de
aula, as políticas públicas incentivavam o uso de cartilhas e ofereciam cursos
de diferentes métodos para serem utilizados nas escolas.
- Método Alfabético: Na abordagem
sintética (partindo do mais simples da língua, para os mais complexos), o
professor ensinava primeiro o nome das letras na sequencia alfabética, então as
letras eram combinadas duas a duas e deviam ser pronunciadas de acordo com sua
forma gráfica. Ou seja, a soletração era a peça fundamental para o ensino da
língua, seguida, pelo ensino da escrita, enfatizando a caligrafia< ensino
focado na repetição, fixação e memorização das letras.
- Método Silábico: Tinha a sílaba como
unidade inicial, sendo apresentadas às crianças em uma ordem estabelecida,
possibilitando o maior possível de combinações entre elas, tendo como
finalidade a formação de novas palavras, e posteriormente, frases.
·
Aula 12 – Continuação concepções
epistemológicas da alfabetização (Mecanicista).
- Método Fônico ou Fonético: Também
dentro de uma abordagem sintética, insiste na importância da forte repetição
até que o aluno estabeleça, por completo, esta associação, memorize e a
pronuncie automaticamente.
- Método da abelhinha: com base
fonética, este método apresenta uma série de histórias cujos personagens estão
associados a letras e sons. Uma das exigências deste método é de “ não dizer o
nome das letras nem fazer a união dos fonemas com todas as vogais”. Ele associa
o personagem, a forma da letra e o som da letra.
- Método Casinha Feliz: Usa a
sentenciação (ensino por meio de frases ou sentenças), aposta em elementos
lúdicos, como o teatro de fantoches, transformando as vogais em personagens
privilegiados que ao se encostarem nas consoantes, se materializam
formando uma palavra monossílabo, sendo assim um método fônico.
- Método da Palavração: Fundamentado na
abordagem analítica (complexo para o simples), o início do processo de
alfabetização deveria partir da palavra como menor unidade significativa. As
palavras são apresentadas em agrupamentos e os alunos aprendem a reconhece-las
pelo método da visualização. Cartões com palavras-chave são colocados nos
murais para a visualização e, consequentemente, para o reconhecimento das
palavras, que geralmente são retiradas de uma história contada para a
turma. A confecção de livros de rótulos, com rótulos retirados e recortados de
diferentes embalagens, colados e identificados com seus nomes e utilidades
podem ser muito úteis para auxiliar esse tipo de visualização.
·
Aula 13 e 14: O construtivismo no
ensino fundamental, um caso de desconstrução.
Nos anos 20 e 40 do século XX,
dissemina-se o movimento escolanovista e com ele a influência da Psicologia
Funcionalista sobre métodos de ensino e a ênfase na atividade e no interesse do
aluno. Nos anos 50 e 60, o tecnicismo (sob influência do behaviorismo) defende
a idéia de que o ensino deve ser objetivo, operacionalizado e regido por
princípios de racionalidade, eficiência e produtividade. Nos anos 70 o
construtivismo de Piaget e a abordagem sócio-histórica de Vigotski: O construtivismo
piagetiano é uma teoria que trata do conhecimento. Piaget buscou no estudo da
criança – na Psicologia – a gênese dos conhecimentos. Distinguiu o
desenvolvimento psicológico ou espontâneo da inteligência – relativo
especialmente as estruturas logico-matemáticas e que ocorre sem necessidade de
intervenção deliberada – e o desenvolvimento psicossocial – aquele decorrente
da educação familiar ou escolar, por exemplo, que requer intervenção para que
aconteça.
Piaget considera o desenvolvimento
intelectual espontâneo como um processo de organização e reorganização
estrutural, de natureza sequencial e ocorrendo em estádios relativamente
independentes de idades cronológicas fixas. Além dos fatores clássicos
explicativos do desenvolvimento (fator biológico e o ambiental), Piaget
propõe a equilibração como o principal mecanismo responsável pelo
desenvolvimento cognitivo, definindo-a como um processo em que o sujeito reage
ativamente ás perturbações que o ambiente oferece, compensando-as de modo a
anulá-las de alguma forma.
Com base no estudo de Piaget, todo ser
vivo tende a adaptar-se ao ambiente, mediante os processos de assimilação
(incorporação aos esquemas/estruturas das propriedades presentes no ambiente) e
acomodação (modificação de esquemas/estruturas) para ajustá-los ás exigências
ambientais.
Essas formas de organização distinguem
os vários períodos de desenvolvimento intelectual, com suas subdivisões,
propostos por Piaget: Estágios Sensório-motor, Pré-Operacional, Operacional
concreto e Operacional Formal.
Uma visão errada do construtivismo é a
que leva a bagunça, que se devem usar objetos materiais, aproveitar o cotidiano
do aluno e não impor tarefas, que o conhecimento é inato e a inteligência é
hereditária e, portanto, imutável.
Desconstruções do construtivismo:
- Não se deve corrigir o erro do aluno
(ao invés de dar uma tarefa às crianças para medir quão bem fazem o quão mal
erram, pode-se dar uma tarefa às crianças e observar quanta ajuda e de tipo
necessitam para completar a tarefa a contento).
- Ser construtivista é colocar os
alunos para trabalhar em grupo (o trabalho em grupo, sem nenhum tipo de
orientação, acaba sendo utilizado simplesmente como um modo de exigência da
Secretaria de Educação. Piaget sempre valorizou o trabalho em equipe como uma
forma de garantir a troca de idéias, a discussão e o exercício da cooperação).
- o construtivismo condena o uso da
cartilha (seus divulgadores tendiam a condenar o uso da cartilha no período de
alfabetização, questionando a natureza dos textos que eram apresentados nesse
tipo de material. As cartilhas, assim como os livros didáticos em geral, são
frequentemente criticados por serem materiais que enfatizam a memorização e por
serem instrumentos frequentes no ensino tradicional. Cabe, então a busca e a produção
de materiais que ofereçam apoio às atividades de ensino, de forma a superar o
verbalismo e a repetição sem sentido).
- O papel do professor é o de
facilitador da aprendizagem. Ele não deve interferir, mas deixar a
criança descobrir sozinha ( o que Piaget condena, portanto, é o excesso de
verbalismo na transmissão dos conteúdos escolares. O aluno também pode aprender
a pesquisar para chegar a inventar e reinventar. O problema é quando se
deixa tudo muito “mastigado” para o aluno, não permitindo que ele possa usar
suas estruras para elaborar novos conhecimentos. A vida coletiva, com as
interações e trocas entre os sujeitos, oferece condições para tomar o
pensamento).
- O professor construtivista trabalha o
que o aluno traz de casa (A escola não precisa desprezar os conhecimentos
cotidianos trazidos pelo aluno, mas deve considera-los como pontos de partida,
levando o aluno a mudar suas idéias no sentido de aproximá-las da os
idéias cientificas. Pensamos que a situação escolar deve funcionar como ocasião
de ruptura com o cotidiano. O professor pode partir da experiência ou
conhecimento prévio do aluno, as visando superá-los. O perigo deste slogan é
que ele pode levar a um esvaziamento dos conteúdos escolares á medida que se
centra no conhecimento cotidiano).
- o que importa é desenvolver o
raciocínio, o conteúdo é secundário (Dizer que se deve desenvolver o raciocínio
significa que os sujeitos devem ter condições de chegar ao raciocínio formal,
característico do estádio em que somo capazes de realizar operações sobre
operações, formular hipóteses, trabalhar com abstrações. O papel do professor é
de dar condições a esse desenvolvimento cognitivo, que é interno ao sujeito).
- O construtivismo condena o ensino da
gramática ( Há uma distorção pois não exigir de imediato a correção
ortográfica, no início da alfabetização, não é a mesma coisa que não corrigir o
aluno. Sugere-se então que os professores valorizem o texto escrito e
diversifiquem as oportunidades de produções infantis. Mas a interpretação
equivocada leva os professores a deixarem os erros gramaticais de lado para
aceitar o que as crianças escrevem.)
- O aluno só aprende com a própria
atividade e deve ser deixado livre para agir (um ambiente calmo e organizado na
sala de aula favorece a reflexão e dá condições para o aprendizado, no
construtivismo, a liberdade se refere á oportunidade de participação ativa do
aluno dentro da organização proposta para a aula. O equívoco que o slogan
sugere aos professores é o de que se deve promover atividades que ocorram no
concreto material, usando figuras, recortes, atividades com massinha, letras de
jornal, entre outras.
Ou seja, pra o professor como
profissional, é imprescindível manter a dignidade do seu papel como agente que
interfere na situação educativa, transmitindo às novas gerações os conteúdos
culturalmente valiosos que permitirão aos alunos compreender, interpretar e
transformar o mundo em que vivem.
·
Aula 15: Concepções epistemológicas da
alfabetização na perspectiva construtivista
Quanto ao desenvolvimento do pensamento
da criança na aprendizagem da escrita, Emília Ferreiro apresenta cinco níveis:
-Pré-silábico: Por volta dos dois anos
de idade, é comum a criança gastar um bom tempo desenhando e, perceber que
alguns traços podem representar ou significar alguma coisa. Ela mistura as
letras que conhece para escrever qualquer coisa, a criança espera que a escrita
dos nomes das pessoas e dos objetos sejam correspondentes á sua idade e ao seu
tamanho.
-Nível intermediário I: a criança busca
a correspondência entre a letra e seu valor sonoro.
-Nível silábico: aceitação das palavras
com uma ou duas letras, possibilidade de convivência com a hipótese de
quantidade mínima de letras, falta de definição das categorias linguísticas,
sonorização ou fonetização da escrita.
- Intermediário II ou
Silábico-alfabético: o valor sonoro ganha relevância, e a criança passa a
acrescentar outras letras às palavras, principalmente ao inicia-las.
-Alfabética: A escrita infantil é
reveladora de duas características – a primeira, que a criança já se apropriou
do conhecimento da correspondência grafofonêmica; e a segunda, que ela já
reconhece valores sonoros menores do que a sílaba. Sua escrita fonética e,
portanto, há dificuldades a serem superadas na direção de uma escrita ortográfica.
Há compreensão da lógica da base alfabética da escrita, conhecimento da
correspondência grafofonêmica, reconhecimento do fonema como unidade mínima e
capacidade de distinguir letra, palavra e frase.
·
Aula 16: Abordagens teórico-metodológicas
da alfabetização: Práticas alfabetizadoras construtivistas.
-A escrita não é simplesmente um código
de transcrição gráfica das unidades sonoras, mas uma linguagem que
promove interação entre os sujeitos, por meio de representações simbólicas.
Para entender o funcionamento da linguagem escrita, é preciso que esta seja
vista no local em que suas propriedades se põem em evidência: Nos textos.
- A criança aprende a falar falando.
Seu desempenho oral evolui na medida em que interage em situações comunicativas
reais e significativas. Do mesmo modo acontece com a escrita. A criança aprende
a ler lendo e a escrever escrevendo. Cabe à escola criar contextos
significativos de uso da escrita.
- A preocupação com a inclusão de um
ambiente alfabetizador trouxe para a cena novos materiais pedagógicos e
procedimentos didáticos distintos das antigas propostas como: Estímulo e
valorização da escrita espontânea; no lugar de textos artificiais encontrados
nas cartilhas privilegiam-se, como material de leitura os textos que circulam
na vida social, a lista de palavras do mesmo campo semântico, a leitura de
crachá, propagandas, bilhetes, rótulos, quadrinhas, parlendas, etc.
·
Aula 17 e 18: Letramento e
alfabetização: As muitas facetas.
Os dois problemas são: O domínio
precário de competências de leitura e de escrita necessárias para a
participação em práticas sociais letradas e as dificuldades no processo de
aprendizagem do sistema de escrita, ou da tecnologia da escrita – são tratados
de forma independente, o que revela o reconhecimento de suas especificidades e
uma relação de não-causalidade entre eles.
No Brasil a discussão do letramento
surge sempre enraizada no conceito de alfabetização, o que tem levado, apesar
da diferenciação sempre proposta na produção acadêmica, a uma inadequada e
inconveniente fusão dos dois processos, com prevalência do conceito de
letramento, por razões que tem conduzido a um certo apagamento da alfabetização
que, talvez com algum exagero, denomino desinvenção da alfabetização (perda da
especificidade do processo de alfabetização que parece vir ocorrendo na escola
brasileira ao longo das duas últimas décadas).
Esta mudança representou, para a área
da alfabetização, a perspectiva psicogenética: alterou profundamente a
concepção do processo de construção da representação da língua escrita, pela
criança, que deixa de ser considerada como dependente de estímulos externos
para aprender o sistema de escrita – concepção presente nos métodos de
alfabetização até então em uso, hoje designados “tradicionais” e passa a
sujeito ativo capaz de progressivamente reconstruir esse sistema de
representação, interagindo com a língua escrita em seus usos e práticas
sociais, isto é, interagindo com o “material para ler”, não com material
artificialmente produzido para “aprender a ler”, os chamados pré-requisitos
para a aprendizagem da escrita.
A alfabetização, como processo de
aquisição do sistema convencional de uma escrita alfabética e ortográfica, foi,
assim, de certa forma obscurecida pelo letramento, porque este acabou por
frequentemente prevalecer sobre aquela, que como consequência, perde sua
especificidade.
Na reinvenção da alfabetização,
reconhecemos que o conhecimento do código grafofônico e o domínio dos processos
de codificação e decodificação constituem etapa fundamental e indispensável
para o acesso a língua escrita.
Identifica-se um paralelo com o que
ocorreu no Brasil, aproximadamente na mesma época, quando o debate que até
então se fazia em torno da oposição entre métodos sintéticos (fônico,
silabação) e métodos analíticos (palavração, sentenciação, global) foi suplantado
pela introdução da concepção construtivista na alfabetização.
Nas primeiras propostas considera-se
que as relações entre o sistema fonológico e os sistemas alfabético e
ortográfico devem ser objeto de instrução direta, explícita e sistemática, com
certa autonomia em relação ao desenvolvimento de práticas de leitura e escrita,
já nas segundas considera-se que essas relações não constituem propriamente
objeto de ensino, pois sua aprendizagem deve ser incidental, implícita,
assistemática, no pressuposto de que a criança é capaz de descobrir por si
mesma as relações fonema-grafema, em sua interação com material escrito e por
meio de experiências com práticas de leitura e de escrita. Podemos dizer que,
no primeiro caso, privilegia-se a alfabetização, no segundo caso, o letramento.
A concepção tradicional de
alfabetização, traduzida nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois
processos independentes, a alfabetização – a aquisição do sistema convencional
de escrita, o aprender a ler como decodificação e a escrever como codificação –
precedendo o letramento – o desenvolvimento de habilidades textuais de leitura
e de escrita, o convívio com tipos e gêneros variados de textos e de portadores
de textos, a compreensão das funções da escrita.
O que se propõe, para concluir é que a
alfabetização se desenvolva num contexto de letramento – entendido este, no que
se refere á etapa inicial da aprendizagem como escrita, com a participação de
eventos variados de leitura e escrita nas práticas sociais que envolvem a
língua escrita, e de atitudes positivas em relação a essas práticas. Também é
preciso o reconhecimento de que tanto a alfabetização quanto o letramento tem
diferentes dimensões, de modo que a aprendizagem inicial da língua escrita
exige múltiplas metodologias, algumas caracterizadas por ensino direto,
explícito e sistemático, outras caracterizados por ensino incidental, indireto
e subordinado a possibilidades e motivações da criança.
·
Aula 19 - Concepções epistemológicas da
alfabetização: a perspectiva sociointeracionista.
|
Inatismo
|
Ambientalismo
|
Interacionismo
|
|
|
Relação homem/ meio
|
H >M
|
M>H
|
H<>M
|
|
Para aprender é preciso
|
Ter maturidade e prontidão
|
A atuação direta do meio sobre o
indivíduo
|
A interação do sujeito com os outros
sujeitos
|
|
Alunos e professores
|
O professor só ensina se o aluno
estiver pronto
|
Aluno é quem aprende, professor é
quem ensina
|
Relação mútua de ensinar e aprender
|
|
Concepções de alfabetização
|
Mecanicista
|
mecanicista
|
Construtivista e sociointeracionista
|
|
Procedimentos didáticos
|
Exercícios que estimulem a prontidão
|
Exercícios de treinamento de cópia e
repetição
|
Atividades que estimulem a troca e a
descoberta entre as crianças.
|
·
Aula 20: Concepções epistemológicas da
alfabetização: A perspectiva Sociointeracionista
Na perspectiva Mecanicista, a pergunta
de “Quem escreve o quê, para quem?” não revelará nenhuma preocupação com o uso
social da língua escrita. A criança escreve ou copia para fazer dever. Já para
a segunda situação – sociointeracionista – é preciso trazer um exemplo no qual
as crianças estejam em interação: as crianças montam um jornal, escrevem uma
poesia coletivamente, criam uma história, etc.
- aquisição da língua escrita na
perspectiva de Vygotsky: a perspectiva interacionista ressalta o papel do
sujeito na elaboração do seu conhecimento. Reflexões teóricas elaboradas por
Vygotsky a respeito do processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita
revelam que ensina-se a criança a desenhar letras e construir palavras com
elas, mas não se ensina a linguagem escrita. Segundo o pesquisador, a escrita
não pode continuar a ser ensinada às crianças como uma complicada habilidade
motora por se constituir “um sistema particular de símbolos e signos... que
designam os sons e as palavras da linguagem falada os quais, por sua vez, são
signos das relações e entidades reais.
- conflito social x conflito cognitivo:
A diferença de linguagem evidenciada revela que há uma gramática própria do
pensamento que tem origem nas formas sociais de interação verbal. O conflito
vivido pelas crianças das classes populares no processo de alfabetização é de
natureza social, e não apenas de natureza cognitiva. Na perspectiva
histórico-social a construção do conhecimento sobre a escrita não envolve
apenas o aspecto cognitivo, mas está inserida no jogo das representações
sociais, das trocas simbólicas, dos interesses circunstanciais e políticos.
Reconhecida como uma atividade discursiva, a escrita implica uma elaboração
conceitual pela palavra e não apenas uma atividade cognitiva.
- Relação desenvolvimento/aprendizagem:
A zona de desenvolvimento proximal, elaborada por Vygotsky, confirma o caráter
interativo e social da construção de conhecimento ao apontar que as conquistas
dos sujeitos aprendentes, possibilitadas pela cooperação num momento anterior,
são indicativas das realizações posteriores, no plano individual. Em outras
palavras, a criança fará sozinha amanhã o que hoje realiza em cooperação com o
outro. O papel da professora, nessa perspectiva, não se limitar a constatar em
que fase do desenvolvimento a criança se encontra, mas em atuar como mediadora
para que as crianças, a partir da troca e da interação, possam superar seus
próprios limites, construindo novos conhecimentos, ao mesmo tempo em que se
desenvolve. A alfabetização é um processo discursivo: a criança aprende a
ouvir, a entender o outro pela leitura, aprende a falar, a dizer o que quer
pela escrita. Enquanto escreve, a criança aprende a escrever e sobre a escrita.
Enquanto lê, a criança aprende a ler e aprende sobre a leitura.
- Conclusão: A criança é um
sujeito interativo que avança na construção e apropriação de novos
conhecimentos a partir da troca, da relação e da interação com os outros, no
espaço da intersubjetividade. A criança constrói conhecimentos num movimento que
vai do coletivo (interação com o outro) para o individual (suas conquistas
pessoais são fruto das experiências construídas coletivamente). A professora
tem um papel fundamental como “mediadora” no processo de aprendizagem da
criança ao organizar situações pedagógicas que estimulem as crianças a superar
seus próprios limites. A alfabetização é uma atividade discursiva que implica a
elaboração conceitual pela palavra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário