MÓDULO 1: LEITOR, LITERATURA,
FORMAÇÃO E ESCOLARIZAÇÃO
AULAS: 1, 2, 3, 27, 28 + AC1 +
MC1
AULA 1 -
O QUE É, O QUE É... LEITURA? LEITOR? LITERATURA?
Concepções de leitura:
- Concepção reduzida de leitura: privilegia a
decodificação dos símbolos gráficos, a compreensão das palavras e expressões e,
consequentemente, seu sentido mais imediato.
- Concepção ampliada de leitura: múltiplos sentidos
no texto, condições internas e externas, intertextualidade.
Quando lemos, estamos nos posicionando diante do
mundo.
Lemos de acordo com concepções que a partir das
nossas condições objetivas de vida (nossas experiências). Também devido à
condição étnica, geográfica, cultural, podemos acumular experiências - ou não -
que nos possibilitem ir além ou ficar aquém do texto que lemos. A produção de
leitura sofre a interferência de nossas possibilidades sobre ela.
Kramer apresenta uma visão de leitor: aquele que
indaga, busca, interfere, compartilha sentidos. Defende a leitura de um tipo de
texto - aquele que é capaz de inquietar.
Concepções de literatura:
- Era o saber, a cultura do letrado. Passa a ser
atividade e produção de alguém.
- Depois passa a ser o conjunto das obras literárias
de um país.
- Fenômeno literário - criação estética.
Literatura é forma de entender o mundo, trabalha
esteticamente com a língua - mas nem todos tem acesso. O livro nem sempre chega
a todos. Exclusão social: pessoas desprivilegiadas.
Para haver leitores, é preciso acesso irrestrito aos
livros (bibliotecas, livrarias, escolas).
AULA 2 -
FORMAMOS LEITORES... OU OS LEITORES SE FORMAM?
Experiências de leitores: ver páginas 25 e 26.
- O despertar do gosto da leitura está atrelado à
presença de agentes e formação, mediadores, 'pontes rolantes' que estimulam
esta interação leitor/texto literário.
- Importância do ambiente gerador de leitura para a
formação do leitor. Primeiras experiências: contextos familiares (leitores do
mundo e da palavra).
- O que está à mão do leitor? Pluralidade de livros
que cercam o leitor? Governo: o que tem feito? A escola tem a missão de
imprimir as primeiras marcas e experiências de leitura.
- Prazer
superficial: vivência de atividades de dinamização da leitura puramente lúdicas
– por meio de jogos e brincadeiras – que retratam obviedades contidas no texto
literário. Prazer essencial: experiências de leitura que procuram desenvolver
uma compreensão ampla e profunda, desvelando os sentidos essenciais do texto
literário a partir de atividades problematizadoras.
- somos
co-responsáveis (como educadores) pelo despertar do gosto pela leitura em
nossos alunos.
- “A
preocupação básica seria formar leitores porosos, inquietos, críticos,
perspicazes, capazes de receber tudo o que uma boa história traz, ou que saibam
por que não usufruíram daquele conto... Literatura é arte, literatura é
prazer... que a escola encampe esse lado. É apreciar – e isso inclui
criticar... (ABRAMOVICH, 1995, p. 148)
- Os
sujeitos-leitores se formam, a partir de uma realidade local, que é múltipla,
heterogênea e rica.
AULA 3 –
PERGUNTA DOS TEXTOS LITERÁRIOS: POR QUE A ESCOLA NOS AZUCRINA?
-
Características dos textos trabalhados nas escolas: trechos retirados de obras
da literatura infantil, nacionais ou não. Pretexto para estudo gramatical. Não
se trabalha a produção escrita dos alunos.
-
Práticas escolares realizadas com textos literários: textos fragmentados ou não
de grandes obras da literatura infantil. Textos criados exclusivamente para
serem trabalhados com a temática de determinado capítulo. O texto fragmentado
não está contextualizado e não há uma síntese da obra citada. Muitos livros
didáticos não trazem referência ao (à) autor (a) daquele texto. Atividades de
ortografia, vocabulário e redação estão predominantemente desvinculados do
texto. O texto é pretexto para ensinar questões gramaticais.
- Dessa
forma, a leitura deixa um gosto amargo de leitura – não é uma tarefa prazerosa.
- Ver
críticas de Silva e Kleiman (p. 43).
- Cria-se
uma barreira entre leitor/texto literário, na medida em que este último não é
entendido como uma linguagem artística. O gosto, o prazer do texto não são
levados em conta. Essa barreira não permite aos alunos-leitores conhecer suas
potencialidades figuradas, isto é, sua literariedade.
- É
importante uma visão ampliada de texto e a necessidade de se trabalhar com
gêneros textuais diferentes.
-
Refletir a experiência de leitura de Lia Luft na página 46.
Aula 27 –
Habilidades, leitura e aplicação textual – parte 1
A educação assume o compromisso de promover a
emancipação dos alunos-leitores, por meio da interação com a linguagem e da
atribuição de sentidos em relação aos textos propostos. A conscientização a
respeito dos aportes teórico – práticos que sustentem os processos de promoção
da leitura e de formação de leitores que podem povoar o universo escolar é
fundamental para a tomada de decisões coerentes sobre para quem, como e para
que planejar a prática de leitura. Ezequiel Theodoro da Silva, o planejamento
de práticas de leitura significativas deve pautar-se no desenvolvimento de
unidades de leitura. Estas devem ser construídas a partir de uma organização
articulada, coerente e coesa de textos e atividades que levem o aluno-leitor à
compreensão aprofundada de temas e ao domínio de suas habilidades leitoras.
Nesse sentido, são necessárias tomadas de decisão antes, durante e após o
desenvolvimento das unidades de leitura relacionadas às perguntas “Por quê?”,
“Para quem?”, “O quê?” e “Como?”, que irão nortear os múltiplos caminhos
metodológicos a serem trilhados. De acordo com Ezequiel Theodoro da Silva, o
planejamento de unidades de leitura necessita estar assentado em uma teoria de
leitura crítica, traduzida por metodologias e atividades que estimulem a
partilha e a produção de novos sentidos para os textos selecionados a partir de
um tema proposto. Na teoria de leitura crítica proposta pelo autor, o
encaminhamento da compreensão do aluno-leitor prevê três habilidades
importantes para sua formação: a constatação (refere-se ao primeiro movimento
de interpretação durante a leitura); o cortejo ou reflexão (o aluno-leitor
passa a realizar um movimento intermediário, interagindo com pequenos grupos de
colegas, a fim de partilhar os sentidos produzidos na primeira etapa de contato
com o livro selecionado, nesse momento é importantes a troca de idéias,
impressões e opiniões em relação ao texto); e o terceiro movimento seria a
transformação (em grupos, os alunos-leitores produzirão outros sentidos para o
tema apresentado, por meio de situações desafiadoras proposta pelo professor. A
partir dessas situações, serão criadas outros textos vinculados às suas
experiências de vida, ampliando as possibilidades de significação atribuídas ao
texto inicial).
Aula 28 –
Habilidades, leitura e aplicação textual – parte 2
Para que a unidade de leitura a ser proposta
desperte nos alunos leitores a motivação, a criatividade, a imaginação e a
produção de sentidos na interação com o texto literário, o tema selecionado
deve ser relevante e instigante para eles. Tomando por base essas três
habilidades e etapas apresentadas e o tema proposto, torna-se relevante
planejar o projeto de unidade de leitura. Este deverá conter os objetivos, as
atividades que serão desenvolvidas e as formas previstas de avaliação deste
processo. Planejar o projeto de unidade de leitura, o qual deverá contemplar os
objetivos das atividades, a seleção dos livros de literatura que serão
utilizados, as atividades que serão desenvolvidas e as formas previstas de
avaliação deste processo.
MÓDULO 2:
GÊNEROS LITERÁRIOS E SEUS ELEMENTOS SINGULARIZANTES
AULAS: 8,
10,9 + AC2
AULA 8:
TEXTO LITERÁRIO – ELEMENTOS SINGULARIZANTES
- Alguns textos utilizam argumentos, tentam
convencer, persuadir os leitores, ou seja, buscam formar opinião. Nos cinco
textos apresentados (ver páginas 8, 9 e 10), alguns informam, dissertam,
argumentam; procuram aprofundar nossa compreensão sobre um tema. Por vezes,
buscam influenciar-nos; por outras, adicionam elementos informacionais para que
possamos refletir. Esse tipo de texto, cujo objetivo é informar, dirige-se a um
público mais especializado. No entanto, há um outro grupo de textos cujo alvo
não é a informação.
- Os textos 4 e 5 (p.10) são exemplos
característicos de textos literários e possuem singularidades que vamos apontar
nesta parte da aula.
- Os dois elementos que singularizam o texto
literário: a subjetividade (emoção do 'eu' e a conotação (linguagem figurada,
com suas figuras de linguagem).
- A função poética, predominante no texto
literário, molda-se, por meio da subjetividade nos dois textos em questão.
- Na aula 26 de Língua Portuguesa na Educação 2
vimos que: O texto literário é criado (…) a partir de uma multiplicidade de
códigos – ideologia, retórica – que vão levá-lo a redefinir informações
absorvidas de outros textos. É, dessa forma, um texto heterogêneo, conotativo,
semanticamente autônomo, com uma verdade própria.
- Os poetas expressão um 'realidade' única, fruto
de suas vivências, experiências pessoais e intransferíveis.
AULA 9: TEXTO LITERÁRIO 1 – A FICCIONALIDADE
- As definições de ficção dizem respeito, de um
modo ou de outro, a capacidade dos seres humanos de fingir, imaginar a
realidade. Nos estudos literários há um grau maior de intencionalidade. Para
que um autor possa imprimir a uma obra literária elementos da imaginação, não
basta sair inventando o que lhe vier à cabeça, de forma aleatória. É preciso
critério e recursos apropriados da língua, os quais serão harmonizados com os
elementos da obra literária.
- Ficção é o termo usado para descrever obras
criadas a partir da imaginação. Isto se estabelece em contraste à não-ficção,
que reivindica ser factual sobre a realidade. Contudo, não podemos esquecer que
obras ficcionais podem ser baseadas em histórias reais ou não, mas sempre
contêm elementos da imaginação.
- Nos trechos de Vidas Secas, de Graciliano Ramos,
“Fabiano, uma coisa da fazenda, um traste” e “a desgraça estava a caminho”. Em
ambos os exemplos, não podemos considerar as palavras em seu sentido literal,
pois nem o personagem é uma coisa e nem uma desgraça se aproximava, mas o
fenômeno da seca, fato comum no Nordeste. A intenção do ficcionista é
justamente criar um efeito de sentido em que as palavras deslocadas de seu
sentido primeiro múltiplas significações. Já no trecho do texto de Gilberto
Freire sobre um estudo do Nordeste, usa-se uma linguagem direta e objetiva,
apresentando os fatos de forma descritiva e analítica, com elementos de
natureza explicativa, que nos fala à racionalidade. Então, podemos concluir que
a obra de Graciliano Ramos é ficcional e o texto de Gilberto Freire é não
ficcional.
- Ficcionalidade: condição do que é ficcional;
característica de uma obra literária, especialmente da prosa, de apresentar uma
interpretação e/ou construção criadora de uma realidade plausível ou
fantástica.
- sobre essa definição, podemos dizer que essa
concepção coloca em jogo aquilo que o leitor da obra literária considera
verossímil, mesmo lidando com a fantasia ou não; para garantir a condição de
existência de uma obra literária, não vale imaginar do jeito que quiser; o
leitor, exigente, deseja verossimilhança entre os elementos que a compõem.
- Segundo o crítico literário Antônio Cândido, os
três elementos principais de um romance são o enredo (a história), as
personagens (que representam a sua matéria) e as ideias (que representam o seu
significado). Para falar do equilíbrio entre os elementos estruturais do
romance, o crítico ressalta a importância da construção da personagem, o
fascínio que ela causa nos leitores, mas não se esquece de indicar a relevância
do enredo e nem das ideias.
- Os conceitos de verossimilhança e ficcionalidade
se aproximam. Se o escritor inserir no romance elementos da imaginação que não
se sustentam nem na estrutura da história, nem da construção da personagem, nem
no nível das ideias, não há verossimilhança, prevalece um baixo nível de
ficcionalidade e, assim, o romance acaba não convencendo o leitor.
- Relação ficção x realidade: nenhum romancista
inventa histórias extraídas do além. Vivemos organizados em sociedade,
precisamos compreender as relações entre ficção e realidade, confiando na
importância deste tipo específico de conhecimento para refletir critica e
esteticamente sobre o mundo e, quem sabe, modificá-los. Muitos romances, além
de provocar a imaginação, trazem elementos da realidade à nossa lembrança. Leia
uma crônica de Graciliano Ramos sobre as estreitas relações entre ficção e
realidade na página 29.
- O jogo entre ficção e realidade é muito antigo na
tradição dos estudos literários. Aristóteles, em sua Poética, fazia menção ao
conceito de mímese, que se referia à imitação do real. O que importa para a
nossa discussão é a possibilidade que a ficção apresenta de falar à nossa
imaginação e de influenciar a vida das pessoas.
- Fantasia e imaginação criadora não significam
fuga da realidade; ao contrário, permitem uma forma qualitativamente diferenciada
de se relacionar com o real.
- O texto ficcional traz alguns elementos da
realidade e outros elementos que falam à imaginação do leitor. Após a leitura
de um romance, podemos nos identificar emocional e intelectualmente com uma
personagem, torcendo para um final bem-sucedido para a sua história, imaginando
o que faríamos se estivéssemos em seu lugar e, algumas vezes, sofrendo e nos
emocionando como se fôssemos as próprias personagens, daí vem a força da
ficção, a possibilidade de nos nutrir e inquietar ao mesmo tempo.
- A obra de ficção é um bem bastante precioso, que
não deveria ser jamais esquecido na formação de todo e qualquer cidadão. Tal
obra, ao nos fornecer modelos de vida para além da vida cotidiana, torna
possível essa compreensão de forma crítica e imaginativa.
- Importante: A ficcionalidade é uma característica
fundamental no texto literário. Ficcionalidade e realidade não se excluem,
antes se complementam. A ficção é uma modalidade de leitura indispensável à
formação do leitor.
AULA 10: TEXTO LITERÁRIO 2 – LITERARIEDADE
- Os textos literários chamam a atenção pela sua
singularidade. O texto 1 (Vidas Secas, p.40) é um texto que emociona, mesmo sem
falar de amor. Isto é literariedade. O texto 2 (p.41) é um poema, assim como o
3. Não são textos que rimam (um poema não precisa rimar). Ambos possuem
musicalidade e ritmo próprios, o que já os qualifica dentro do gênero
literário, independentemente da rima. No texto 2, os fonemas v e f lembram o
som do vento. No texto 3, esse ritmo e essa musicalidade podem ser percebidos
por meio de recursos diferentes. Por exemplo, a pontuação utilizada: há versos
interrompidos por pontuação e outros que fluem, em conjunto, até nova pontuação
surgir surgir no horizonte.
- Esses elementos fazem parte do que denominamos
literariedade.
- Segundo Jakobson, 'o objeto do estudo literário
não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada
obra uma obra literária'. Dessa forma, literariedade é a essência do texto
literário, a sua natureza. Tal essência, tal como já vista em outras aulas,
constitui-se pela subjetividade, trabalhada esteticamente, bem como pelo uso,
preferencial, da linguagem conotativa, e ainda, pela verossimilhança.
- Plurissignificação: Aguiar e Silva opõe a
linguagem literária – plurissignificativa – aos discursos lógico e jurídico,
que são monossignificativos. Para o autor, “a palavra adquire dimensões
plurissignificativas graças às relações conceptuais, simbólicas, imaginativas,
rítmicas etc., que contrai com outros elementos que constituem o seu contexto
verbal.”. Dessa forma, podemos afirmar que o texto literário propõe vários
sentidos e pressupõe múltiplas leituras, já que as palavras, as expressões e as
formas linguísticas utilizadas são, exatamente, para imprimir-lhe a literariedade.
- É importante perceber que as sonoridades verbais,
os sistemas retóricos, léxicos e sintáticos trabalhados de uma forma estética
podem levar a um texto literário. Mas, para que essas possibilidades aflorem no
texto, é preciso também que nos deixemos afetar por ele, ou seja, que estejamos
abertos para a leitura literária, buscando a multiplicidade de sentidos que
esse texto possui.
Importante: Ao trabalhar com um texto literário, é
possível partir de elementos que evidenciam sua natureza e o caracterizam.
Esses elementos constituem a literariedade desse texto. A literariedade pode
ser evidenciada pela plurissignificação e pelo trabalho artístico com o texto.
MÓDULO 3:
PROSA NARRATIVA
AULAS:
13, 14
AULA 13: ELEMENTOS DA NARRATIVA – PARTE 1
- Poesia narrativa: epopeias que exaltavam feitos
de heróis que representavam seus povos, sua cultura, sua história, como grandes
autores como Homero e Camões. Esses textos – epopeias – eram narrados em verso.
Como contar esses feitos numa época em que a leitura e escrita eram privilégio
de poucos? Por meio de versos decassílabos, rimados, que podiam ser repetidos e
decorados, de pessoa a pessoa, de grupo em grupo, de povo em povo.
- Com o tempo, esses poemas narrativos originaram a
narrativa, um dos gêneros literários, ao lado da lírica e do drama.
- É a 'ficcionalização' da realidade, alicerçada
nas ações humanas, que confere à narrativa um estatuto diversos da lírica. Na
narrativa, há um deslocamento do romancista do mundo objetivado que cria, ai
contrário da lírica, em que o envolvimento do poeta com esse mundo criado é
muito forte.
- Se a narrativa institui uma alteridade básica
existente entre o autor e o mundo objetivado no seu romance, é natural que se
estabeleça a 'verossimilhança' nesse texto literário.
- No texto 1 (p.86), que contém um trecho de um
romance de Saramago, ocorre uma eleição em uma cidade em que os votos brancos
são significativamente maior do que os votos válidos. Podemos argumentar que a
situação é 'irreal' se compararmos à realidade. Mas desde quando o texto
literário tem compromisso com a realidade? Seu compromisso é com a
verossimilhança, e essa está garantida pelo autor, que objetiva o mundo,
representando-o aos nossos olhos como um mundo cuja existência independe de
nós.
- Há elementos que precisam estar presentes para
que esse mundo encontre essa objetivação: os personagens, a ação, o tempo e o
espaço, que criarão um ambiente para a verossimilhança.
Estrutura da narrativa: situação em equilíbrio
(início da história), desequilíbrio (momento de tensão, que pode aumentar a sua
intensidade e criar o conflito), clímax ( situação geradora do desequilíbrio
alcança o auge, é o momento de maior tensão) e desfecho (final da história,
seja qual for a solução encontrada para resolver o problema).
- Tempo: cronológico (começo, meio e fim; é a
sucessão de acontecimentos na narrativa; corresponde ao tempo material,
concreto, que de alguma forma é citado pelo autor); psicológico (é o tempo que
se passa na cabeça do autor; compreende o que não é mensurável, como por
exemplo, as lembranças de infância de um personagem ou reflexões que ele faz
sobre situações que enfrenta). No tempo da narrativas, encontramos também o flashback,
recurso que o autor utiliza quando quer recuar no tempo, trazendo o passado
para o momento presente.
- Espaço: é o cenário em que se passam as situações
narradas. Por vezes, o espaço assume importância capital no enredo, outras
vezes é apenas pano de fundo para a construção do enredo.
AULA 14: ELEMENTOS DA NARRATIVA – PARTE 2
- Monteiro Lobato, Ruth Rocha e Ana Maria Machado
representam 'marcos' do gênero narrativo infanto-juvenil, pelo pioneirismo de
suas obras.
- a contemporaneidade da literatura infanto-juvenil
, por sua vez, do gênero narrativo tende a ser verificada a partir da
identificação de algumas características, tais como: a narrativa, quase
sempre, se inicia mostrando o motivo ou
as circunstâncias que levaram à situação em torno da qual girará a história. Há
uma preocupação com a forma como a história será contada ao leitor; a narrativa
sem sempre é linear (começo, meio e fim): ela pode entremear experiências do
passado com as do presente. A conclusão da história tende mais a problematizar
de que a oferecer soluções e desfechos fechados para as situações apresentadas;
os personagens podem ser representados de maneira satírica, questionadora e
crítica (reis, rainhas, fadas, crianças etc.) ou tendem a ser membros de
grupos, valorizando a turma, a patota; o conto prevalece entre as narrativas
para a faixa infanto-juvenil, já o romance e a novela multiplicam-se para o
público juvenil; o narrador se revela cada vez mais atento em relação à
presença do leitor, demonstrando preocupação com a comunicação e com o alcance
da história; o ato de narrar é cada vez
mais valorizado; o tempo é variável: tanto pode ser histórico como
indeterminado; o espaço é variável: pode tanto representar um cenário simples
como o dinamismo da ação; mais que oferecer exemplos ou conselhos, as
narrativas contemporâneas se propõem a problematizar as situações da vida
cotidiana, desenvolvendo no leitor um olhar crítico e criativo; o humor é
valorizado nas obras do gênero narrativo;
há uma alternância entre a fantasia e a realidade nas narrativas; a
linguagem visual (ilustrações, diagramação, cores etc.) é muito utilizada como
recurso na confecção das narrativas literárias. Essas características revelam a
busca do gênero narrativo pela renovação dos modos de escrever, produzir e
confeccionar livros infanto-juvenis. Contribui com o “projeto lobatiano” de
iniciar o público infantil no mundo da literatura de modo mais prazeroso,
crítico e criativo.
- O movimento pós-lobatiano vem ganhando força
desde 1970, e, de lá para cá, as abordagens do gênero narrativo têm buscado
caminhos alternativos muito interessantes, buscando ir além de um estudo do
gênero narrativo a partir do ensino da sintaxe ou de elementos presentes nas
obras (personagens, tempo, espaço etc) e buscando caminhos mais interessantes
para uma iniciação literária mais viva, crítica e criativa.
MÓDULO 4:
MODOS DE FICÇÃO NA LITERATURA INFANTOJUVENIL
AULAS:
12, 21, 11, 22, 23
AULA 11:
TEXTO LITERÁRIO 3 – A EXEMPLARIDADE
EXEMPLARIDADE: O QUE É? DE ONDE VEM?
Exemplum é um
texto curto, que narra uma situação exemplar – como o nome já sinaliza – com o objetivo
de imprimir à história uma lição de moral.
A
utilização a que se destinaram os exempla explica porque a exemplaridade
é sempre associada ao caráter didático e moralizante dos textos em que se faz
presente. É o caso das fábulas.
Em
virtude da necessidade de atingir um público em iminente situação de ceticismo,
os PREGADORES passaram a utilizar narrativas exemplares que eram, a um
só tempo, doutrina e entretenimento. As fábulas tiveram papel importante nesse
processo.
Pode-se
mesmo afirmar que essa dimensão ficcional do exemplo é um elemento facilitador
da aceitação das regras de moral e comportamento que o pregador teve a missão
de incutir em seu público.
O prazer
de ouvir boas histórias torna-se, nesse momento, a chave para obter a então
quase perdida atenção do público ouvinte. É a descoberta dessa estratégia que
leva à incorporação das fábulas nos sermões dos pregadores.
O exemplum
configura-se numa estratégia retórica que, por isso mesmo, o aproxima mais
ainda do literário.
COMO O
TEXTO EXEMPLAR CHEGOU ATÉ NÓS?
A Idade
Média foi o momento em que o texto exemplar ganhou um status que até
então não possuía. Este passou a ser utilizado com o objetivo de manter uma
estrutura social submetida a uma série de regras de moral e comportamento
necessárias à sustentação do poder, sobretudo o religioso. A importância desses
textos está, nesse momento histórico, intimamente ligada a objetivos políticos
e religiosos.
A
exemplaridade não desaparece da estrutura dos textos. Em outras palavras,
aquela lição de moral que ficava tão clara na leitura de textos como as
fábulas, por exemplo, não era mais evidente, o que não significa que tenha
deixado de existir.
O texto literário se diferencia
dos demais tipos de textos, entre outros elementos, pela presença de uma
estrutura latente, aquilo que chamamos de “entrelinhas”. Pois é justamente nas
entrelinhas que podemos encontrar a exemplaridade a partir de determinado
momento da história da leitura.
A fábula é um texto sempre muito
curtinho, que traz uma história simples, mas emblemática. Contudo, mais
importante que essa história, é a chamada “moral da história”, pois é nesse
momento que a lição de moral é trazida à cena. Atente para esse detalhe: ela é
explícita, ou seja, o exemplo faz parte da estrutura manifesta do texto, está
ali para quem quiser ver, sem disfarce.
Agora, vamos à Bela e a Fera.
Podemos ver que a história, já não tão simples quanto a fábula, continua sendo
emblemática, isto é, trabalha com ARQUÉTIPOS fortes – a moça delicada em
contraposição a uma “fera”. Ao longo da leitura, não há a explicitação da lição
a ser aprendida por meio de uma moral da história, mas o percurso dos amados e
o desfecho apontam para a presença dessa lição ainda na estrutura manifesta do
texto, mesmo que não seja de forma privilegiada, como ocorre na fábula.
AULA 12: LITERATURA FANTÁSTICA: O
ESTRANHO E O MARAVILHOSO
O QUE É
VEROSSIMILHANÇA?
VEROSSIMILHANÇA é a capacidade
que um texto tem de ser fiel à sua própria lógica.
Em outras palavras, nossa
primeira reação diante de um fato estranho é tentar uma explicação natural para
justificá-lo. Sempre apelamos para a lógica, para aquilo que está nos limites
do nosso alcance.
Com a literatura, entretanto, é
diferente. Ela não tem esse compromisso de refletir logicamente a vida. Na
literatura, “a face cruel da verdade” é coberta pelo “manto diáfano da
fantasia”. Assim, no âmbito da ficção literária, o parâmetro não é a lógica do
mundo real.
É por
isso que, ao ler a história de Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, acatamos sem
problema o fato de o lobo falar com a menina. Isso se dá porque, dentro do
universo do texto, esse é um fato verossímil, ou seja, não nos causa
estranheza, pois sabemos, ainda que intuitivamente, que aquele universo é
regido por leis diferentes das que regem o mundo real. Desde que o texto seja
fiel à lógica por ele instaurada,
nós o aceitamos sem problemas.
FANTÁSTICO, ESTRANHO E
MARAVILHOSO: ONDE ELES ENTRAM?
Costuma-se definir literatura
fantástica como aquela em que o texto não se submete por inteiro às leis do
senso comum, à lógica da Natureza, tal como a concebemos.
No texto fantástico, aquilo que,
no mundo real, e, portanto, de acordo com o senso comum, seria considerado
sobrenatural, é tratado como natural. Nesses textos, encontramos os animais que
falam, seres de outros mundos, bruxas, fadas, e toda uma gama de personagens e
acontecimentos incompatíveis com a realidade que nos cerca, mas absolutamente
coerentes com o mundo ficcional do texto que habitam.
Ocorre que, mesmo na ficção, os
fatos extraordinários podem assumir um caráter especial, ou simplesmente não
causarem nenhuma estranheza. Por essa razão, costuma-se dividir a literatura
fantástica em níveis, de acordo com sua proximidade ou com seu afastamento da
lógica do mundo real. Nessa divisão, trabalhamos com duas possibilidades de
ocorrência do fantástico: o estranho e o maravilhoso.
ESTRANHO E MARAVILHOSO – QUAL A
DIFERENÇA?
Quando, ao longo ou ao final da
narrativa, acontecimentos aparentemente inexplicáveis, sobrenaturais até,
recebem uma explicação racional, estamos diante do estranho.
O fantástico é reduzido a
estranho por meio de alguns procedimentos narrativos, tais como: o sonho, a
alucinação, a ilusão, a loucura.
No maravilhoso, os fatos
não apenas parecem, mas são, realmente, extraordinários. Isso quer dizer que,
no maravilhoso, os fatos não estão subordinados à lógica do mundo que nos
cerca. A única forma de compreender e aceitar o que se passa é admitir a
intervenção de mundos até então inadmissíveis, regidos por leis próprias. Essas
leis levam-nos a aceitar, inclusive, a convivência de seres do mundo real com
seres do mundo sobrenatural. Dessa forma, no maravilhoso, os seres humanos
dividem naturalmente espaço com bruxas, duendes, gigantes, alienígenas e todo
tipo de personagem que a ficção seja capaz de engendrar.
O TEXTO E O LEITOR
Mesmo porque, a afetividade é um
dos elementos que conformam a literariedade de um texto. Quando falamos em
afetividade não estamos nos referindo, especificamente, a uma relação de
carinho. Trata-se de um termo da Teoria da Literatura, segundo a qual o texto
literário afeta, inevitavelmente o leitor, ao mesmo tempo que é afetado por
ele, já que o leitor gera sentidos para o texto.
Quando nos deparamos com um texto
em que o elemento maravilhoso se destaca, essa afetação se reveste de um
caráter sensorial bastante intenso, pois somos tomados por sensações ligadas,
ao mesmo tempo, ao medo e à curiosidade, à raiva e à pena, ao terror e à
coragem. Em nenhum momento, porém, questionamos a pertinência nem dos
acontecimentos do texto, nem das sensações que eles nos despertam. Acatamos a
lógica interna do texto, deixamo-nos levar por suas ocorrências insólitas e
ainda nos afligimos com o destino das personagens.
AULA 21: AS FÁBULAS
A fábula
seria uma variante do conto, veiculando uma realidade ideal capaz de
preencher as expectativas dos leitores, que vêem ali um mundo de
possibilidades, muitas vezes.
Estrutura:
- caráter
narrativo
- enredo
como exemplo
-
aforisma ou provérbio
-
ensinamento contido na 1ª parte
-
converte-se na moral da história
Fábula:
discurso do qual se retira uma lição, o que explica o termo “literatura
exemplar”.
Objetivos:
ensinar, incutir soluções e padrões de comportamento que já vem pronto em sua
narrativa.
A “moral
da história” é a síntese do objetivo maior da fábula: ensinar e por isso
é sempre entendida como um texto de caráter didático.
Assume um
caráter exemplar de objetivo moralizante.
Ela
constrói-se basicamente sobre a alegoria que garante ao texto um caráter
fantástico que possibilita um aparente e estratégico afastamento do campo de
referencia externo, o que se torna fundamental para o seu acatamento.
Indeterminação
geográfica e temporal da ação e da interferência do narrador que serve de
mediador entre o texto e o leitor.
AULA 22 – OS CONTOS DE FADAS E OS CONTOS MARAVILHOSOS
CONTOS MARAVILHOSOS
Os contos maravilhosos e os
contos de fadas são, hoje, tratados como um único tipo de narrativa. Na
verdade, eles diferem na origem e nos elementos que os compõem.
A origem dos contos maravilhosos,
diferentemente da origem dos contos de fadas, é oriental. Sua ênfase é na
necessidade básica do herói, que, em sua busca, prioriza a questão material e a
sensorial em detrimento da espiritual, como ocorre nos contos de fadas.
Nos contos maravilhosos, o desejo
de auto-realização do herói é o eixo central da narrativa, que transcorre
sempre em ambientes mágicos, contudo, sem a presença de fadas.
CONTOS DE FADAS
Os contos de fadas têm origem
celta, a mesma tradição que nos brindou com os romances de cavalaria. A cultura
celta é caracterizada pela presença de forte religiosidade, o que influenciou
grandemente a cultura ocidental.
Os contos de fadas, então,
caracterizam-se por uma magia, em que convivem reis, rainhas, gênios, bruxas,
fadas. É interessante saber que, apesar do nome, os contos de fadas nem sempre
têm fadas em seu enredo.
Há procedimentos que especificam
o conto de fadas:
A atemporalidade está expressa no
famoso tópico frasal “Era uma vez”. O tempo em que se passa a história não é
jamais definido. É um tempo qualquer, que nunca envelhece, é sempre o tempo do
leitor.
O mesmo ocorre com a indeterminação
espacial. É um reino distante, ou um reino cujo nome jamais encontraremos no
mapa. É, na verdade, o lugar da ficção, ou seja, um espaço possível só no
âmbito ficcional.
Em outras palavras, os príncipes
e as princesas do conto de fadas são belos e bondosos. Enfrentam uma série de
obstáculos para alcançar seus objetivos. Esse confronto reforça o caráter
maniqueísta desses textos: o bem, representado pelo herói, combate o mal,
representado pelos obstáculos. Estes, por sua vez, não são apenas torres altíssimas
e dragões venenosos, mas também as personagens que se opõem flagrantemente aos
heróis, como as bruxas.
Além disso, esses heróis e
heroínas são movidos pelas virtudes valorosas do espírito humano. É isso que os
move e os faz enfrentar todo o mal. Afinal, eles são a personificação da
perfeição ética.
AULA 23 – O CONTO DE FADAS MODERNO
O QUE MUDOU, O QUE FICOU...
A estrutura dos textos fundadores
da tradição literária ocidental é a base para o entendimento desse enorme
interesse do ser humano por narrativas de cunho maravilhoso. Os textos modernos
mantêm essa estrutura.
A fábula moderna mantém a
estrutura da fábula clássica, com o cuidado de adaptar-se ao interesse
infantil. O mesmo se pode observar em relação ao conto infantil, que se
convencionou chamar de conto de fadas. Essas narrativas – os contos de fadas –
trazem a marca das forças antagônicas, já que o bem e o mal se enfrentam e se
presentificam como valores de formação da mentalidade infantil.
O ANTIGO E O NOVO NA ESTRUTURA
DOS CONTOS DE FADAS
Nelly Novaes Coelho entende a
perpetuação dos contos populares e das fábulas nas culturas contemporâneas a
partir da utilização de uma linguagem simbólica ali presente.
Os vícios e as virtudes,
presentes no inevitável embate entre o bem o mal, aparecem nesses textos
antigos e continuam presentes nos textos que hoje são lidos pelas crianças.
Além disso, existem aspectos formais que tornam esses
textos peculiares e que explicam a ampla aceitação que receberam por parte das
crianças.
A indeterminação temporal do
texto é um desses aspectos, e cristalizou-se na literatura infanto-juvenil a
partir, principalmente, da expressão “Era
uma vez”.
Outro elemento particular dos
textos analisados pela autora é a referência explícita ao “ato de contar” a história,
cuja função estará ligada à origem dessas narrativas, que eram contadas
oralmente.
Um terceiro elemento que denuncia
a particularidade das narrativas infantis é a forma do conto, que se
traduz, para Nelly, na intenção dos narradores de transmitir mensagens exemplares por meio de
situações cotidianas, o que reforça a identificação que a autora defende entre
literatura popular exemplar e literatura infanto-juvenil.
A repetição também é
definida como um dos aspectos dessas narrativas, e ela se dá tanto no nível
discursivo como no estrutural da narrativa, compatibilizando-se, nesse ponto,
com uma exigência inerente ao leitor infantil, que é a de ouvir ou ler
repetidamente uma mesma história, rejeitando qualquer alteração que se pretenda
nela introduzir.
A representação simbólica,
que na visão da autora engloba a utilização de metáforas, símbolos, alegorias,
é também a tônica das narrativas infantis, que, dependendo da época de sua
produção, têm um elemento predominantemente específico.
Isso leva à criação de
personagens tipos, que são, muitas vezes, puras alegorias, como, por
exemplo, os animais nas fábulas. A tipificação das personagens é, para Nelly,
outro elemento singularizante das narrativas infantis.
A presença do maravilhoso
também se configura como um aspecto especial desses textos, fato que decorre do
que Nelly denomina de “pensamento mágico”, característico do mundo arcaico.
Por fim, a autora considera a
exemplaridade como “um dos objetivos mais evidentes da narrativa primordial
novelesca” (p. 76), e inclui esse elemento como outro aspecto responsável pela
peculiaridade do texto infantil.
A PERMANÊNCIA DO CONTO DE FADAS
NO IMAGINÁRIOINFANTIL – E ADULTO...
Os contos de fadas rompem com
essa estrutura ao serem considerados antipedagógicos. Tal consideração levava
em conta, sobretudo, a veemência dos acontecimentos diante das falhas de
conduta, mas é a presença dos elementos fantásticos que desde logo incomoda o
intuito pedagógico. O mesmo não ocorre com as fábulas, pois estas, segundo a visão
da pedagogia, carregam consigo um realismo utilitário, caríssimo aos princípios
do ensinamento.
A fantasia – entendendo-se, por
esse termo, o maravilhoso – não é privilégio do texto infantil. A proporção que
ganha no texto infantil é, sem dúvida, maior que a da literatura em geral, e
sua identificação com o pensamento mágico do mundo antigo é mais um ponto de
contato entre as narrativas dessa época e as histórias para crianças.
Pode-se mesmo dizer, grosso modo,
que a criança é capaz de “aproveitar” muito melhor a fantasia que o texto lhe
proporciona do que o adulto. Contudo, o conto de fadas moderno tem sido
literatura para leitores de 8 a 80 anos.
E HARRY POTTER?
Afora qualquer juízo de valor, já
que a literatura não se caracteriza por esse critério, não podemos deixar de
reconhecer que Harry Potter é, sim, um conto de fadas moderno.
O primeiro importante aspecto que
o caracteriza é a eleição de uma personagem criança, facilitando, dessa forma,
a identificação do leitor. O leitor implícito coloca-se com facilidade no lugar
da personagem que, como ele, é também uma criança.
No universo ficcional de Harry
Potter, dois mundos convivem paralelamente: o dos “trouxas” e o dos bruxos.
Neste último, há uma hierarquia que reduplica o mundo real – há bruxos que
lideram grupos, por exemplo, e os mais velhos são respeitados por sua vivência
e sabedoria –, e os bruxos não contam apenas com seu dom para exercer a
bruxaria. Eles precisam aprender, e para isso frequentam uma escola especial
para eles, Hogwarts, onde, como em qualquer escola, há grupos rivais,
amigos, invejosos, medrosos, e toda sorte de personalidades com as quais
convivemos em nossa vida.
Harry lança mão de valores
humanos para vencer o mal. Com isso, a narrativa reforça a importância dos
valores humanos e mostra que o herói é movido por objetivos nobres.
Os arquétipos típicos do conto de
fadas são mantidos, e a luta do bem contra o mal continua a ser o tema central
da narrativa. Apesar dessa identificação inegável com o conto de fadas tradicional,
opera-se, aqui, a ruptura com o modelo de perfeição absoluta que caracteriza o
herói daqueles textos. Se os príncipes e princesas que aprendemos a admirar nos
contos de fadas tradicionais são exemplos da perfeição ética e estética, este
não é, absolutamente, o caso de Harry. Ele tem suas fraquezas, é fisicamente o
oposto do que se espera de um herói, mas preserva os valores morais e luta por
eles.
MÓDULO 5: POESIA E FORMAS POÉTICAS
AULAS: 15, 16, 17
AULA 15: ELEMENTOS DA POESIA – PARTE 1
Característica da Poesia:
- Jogo de palavras (+ trabalho criativo = escolha da palavra adequada pelo autor para
expressar seus sentimentos e estado de ânimo);
- Musicalidade das frases
- Organização das palavras em verso
Definição:
Inquietação, lugar isolado (às vezes, inacessível),
diferentes significados das palavras na poesia (percepção para os diferentes
significados que as palavras assumem no contexto da poesias e se não a tivermos
não é possível compreende-la).
Figura de linguagem: forma ou expressão que
consiste no emprego de palavras em sentido figurado, ou seja, em um sentido
diferente daquele que geralmente são empregadas.
Metáfora: figura de linguagem por meio da qual se
cria uma comparação implícita entre dois termos; um termo é utilizado com valor
de outro.
“Eu do poeta” ou “Eu lírico”: é a única personagem
da poesia – o poeta que vê o mundo, as pessoas e a si próprio, num esforço
único de exprimir-se.
A poesia corresponde à expressão do eu, ao “eu do
poeta”.
Outras características - os recursos expressivos:
- figura de linguagem,
- imagens,
- musicalidade
- ritmo
“Assim, seu veículo é ambigüidade das palavras, a
linguagem conotativa e a função poética, por trabalhar criativamente com
signos”.
2ª definição: Modalidade literária que exprime
estados e não acontecimentos.
Outras figuras de linguagem:
- ANÁFORA: caracteriza-se pela repetição de uma ou
mais palavras no princípio dos versos.
- ALITERAÇÃO: consiste na repetição do mesmo som ou
sílabas em duas palavras ou mais, dentro do mesmo verso ou estrofe.
AULA 16: ELEMENTOS SINGULARIZANTES DA POESIA –
PARTE 2
Os elementos singularizantes da poesia
- Elementos expressivos: RITMO e a RIMA
- A poesia é um gênero literário, caracterizado por
meio de idéias, que geralmente, aparecem organizadas na forma de versos e de
recursos estilísticos – a sonoridade, o ritmo e o jogo com as palavras.
- Não basta termos palavras dispostas no papel em
forma de versos. É necessário harmonizar os elementos que a compõem: idéias,
recursos musicais e estilísticos, todos em perfeito equilíbrio.
- Por versos, entende-se a sucessão de sílabas ou
fonemas, formando uma unidade rítmica e melódica.
- Estrofe: é um grupo de versos: Há diferentes
tipos de estrofes:
2 versos = dístico
3 versos = terceto
4 versos = quadra ou quarteto ...
- Soneto: são versos de estrutura que não se
altera, o que chamamos de forma fixa. (2 quartetos e 2 tercetos)
- O ritmo é criado pelo poeta pela alternância de
sílabas acentuadas e não acentuadas.
- A rima é outro recurso musical utilizado pelos
poetas. Elas podem ser divididas em: rima externa (no final do verso) e rima
interna (no interior do verso). De acordo com combinação sonora chamamos as
rimas externas de: interpoladas (ABBA); alternadas (ABAB) ou mesmo emparelhadas
(AABB).
Elemento singularizante da poesia: a MÉTRICA
Métrica = a medida
-A medida dos versos é feita com base na oralidade
(leitura em voz alta). Ela pode ser determinada dividindo os versos em sílabas
poéticas. A essa divisão denomina-se escansão.
- De acordo com o número de sílabas poéticas, os
versos são denominados: monossílabo (1 sílaba); dissílabo (2 sílabas);
trissílabo (3 sílabas); redondilha menor ou pentassílabo (5 sílabas);
redondilha maior ou heptassílabo (7 sílabas); decassílabo (10 sílabas) e
alexandrino (12 sílabas).
- A sílaba poética é contada pela emissão sonora,
não coincidindo com a sílaba gramatical. A contagem é feita até a última silaba
tônica dos versos.
- A regularidade métrica contribui para a harmonia
do poema.
- No Modernismo os versos passam a ser livres, isto
é, não obedecem a uma regularidade métrica.
- Diferentes tipos de poema e formação do ser
poético:
Objetivo: educar para a apreciação poética
Ser
poético é desenvolvido por meio do contato com a poesia, estimulando a
capacidade de expressão em relação a esta modalidade literária.
“Educar
para apreciação da poesia por meios que sensibilizem a criança, tocando seus
sentimentos e emoções, aguçando sua imaginação e sua capacidade criativa”.
Aspectos
da linguagem poética:
-
Brincando com a sonoridade (leitura em voz alta): uma das possibilidades de
desenvolvimento da fruição poética pode dar-se por intermédio da leitura
expressiva de poemas que estimulem o brincar com a sua sonoridade.
-
Brincando com os movimentos (leitura em voz alta): para brincarmos com as
pausas e os movimentos sugeridos pelos poemas, torna-se interessante o trabalho
com as composições poéticas musicadas.
-
Brincando com as imagens e tecendo sentidos (leitura diferenciada de poemas concretos):
existem poemas que precisam ser captados pelo olhar. Os poemas concretos são
textos poéticos em que as palavras geram desenhos, lacunas e uma disposição
gráfico-visual que revelam sentidos e movimentos visuais, plásticos e sonoros.
-
Brincando com os poemas de sempre (os poemas de sempre são textos folclóricos
representados pelas cantigas de roda, parlendas e versos de domínio popular).
AULA 17:
ELEMENTOS DO DRAMA
Gênero
dramático – subdivisões:
Tragédias
são peças teatrais com carga emocional, e que conflitos e tensões chegam a
limites existenciais como a morte. Exemplo: texto 1 – parte da peça Antígone de
Sófocles.
Comédias
são textos teatrais em que as artimanhas são constantes; em que o riso suplanta
as situações de conflito, em que essas situações conflituosas terminam em
situações + distensas.
Dramas as
ações são tensas, conflituosas, mas não chegam a situações limites, as questões
existenciais sem retorno como acontece na tragédia.
Características:
É
possível representar com a finalidade concreta de representação por meio de uma
encenação (foi constituído para ser encenado em teatro) – 1ª característica:
exibição
-
densidade, tensão e concentração de fatos conflituosos;
-
ausência de narrador;
-
personagens: presença física para a representação;
- ação
dramática sempre atual para e espectador;
- tempo / espaço: tempo curto, condensado, do
conflito e da luta inevitável.
Gostei muito das suas considerações sobre a disciplina estudada.
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