Pesquisa
dos educadores e formação docente voltada para a transformação social
Neste
artigo, defendemos a idéia de que devemos tratar a pesquisa-ação de uma maneira
muito mais séria do que acontece nesses casos e reforçar os laços do movimento
de pesquisa-ação com as lutas mais amplas por justiça social, econômica e
política em todo o mundo.
O modo
pelo qual o movimento da pesquisa-ação, que continua a se expandir pode
contribuir para o processo de transformação social.
1. melhorar a formação
profissional e, por conseguinte, propiciar serviços sociais (educação, saúde
etc.) de melhor qualidade;
2. potencializar o controle que
esses profissionais passam a exercer sobre o conhecimento ou a teoria que
orienta os seus trabalhos;
3. influenciar as mudanças institucionais nos
locais de trabalho desses profissionais (escolas, hospitais, agências de
serviço social etc.);
4. contribuir para que as sociedades tornem-se
mais democráticas e mais decentes para todos (ou seja, sua ligação com temas de
reprodução ou de transformação social).
Pesquisa ação é uma pesquisa
sistemática feita por profissionais sobre as suas próprias práticas.
Nas décadas de 1980 e 1990, os termos
pesquisa-ação, prática reflexiva e profissional reflexivo tornaram-se slogans
para reformas educacionais ao redor do mundo. Por um lado, o movimento de
pesquisa-ação significou um reconhecimento de que os profissionais produzem
teorias que os ajudam a tomar decisões no contexto prático. Por outro lado,
esse movimento internacional também pode ser entendido como uma reação contra a
visão dos profissionais como meros técnicos que apenas fazem o que outros, fora
da esfera da prática, desejam que eles façam e como uma rejeição às reformas
"de cima para baixo" que concebem os profissionais apenas como
participantes passivos.
Acreditamos que a
participação dos profissionais e, mais especificamente, dos educadores, em
projetos de pesquisa-ação, ou seja, o envolvimento direto deles com o processo
de produção sistemática de um saber extremamente relevante e essencial para
suas práticas, pode transformá-los
também em "consumidores" mais críticos do conhecimento educacional
gerado nas universidades. Isso pode acontecer porque esses sujeitos passariam a
compreender melhor como tal conhecimento é produzido nos meios acadêmicos.
Desde as experiências pioneiras de
John Eliott na Inglaterra, tem-se defendido a idéia da pesquisa dos educadores
como uma das formas disponíveis e, talvez, uma das mais eficientes para a
formação profissional. Geralmente se argumenta que os professores tornar-se-ão
melhores naquilo que fazem por meio da condução de investigações sobre suas
próprias práticas e que a qualidade da aprendizagem de seus alunos será melhor.
Também se tem argumentado que a pesquisa dos educadores estimulará mudanças
positivas na cultura e na produtividade das escolas, além de poder aumentar o status
da profissão de magistério na sociedade.
Para que as mudanças
ocorridas nas práticas dos professores por meio da pesquisa-ação possam ser consideradas
"melhorias", temos de analisar os méritos daquilo que se produz e se
tais mudanças são válidas no contexto educacional de uma sociedade democrática.
Outra área em que o movimento de
pesquisa-ação pode ser potencialmente catalisador de mudanças e em que ele tem
dado uma contribuição significativa para a implementação é a do controle do
conhecimento educacional que informa o trabalho dos profissionais.
No Brasil, apesar de haver
iniciativas de parcerias entre universidades e Secretarias de Educação para o
desenvolvimento de programas de formação continuada que incluam a realização de
pesquisas por parte dos professores, as condições de trabalho da maioria dos
educadores são tão precárias que às vezes pode parecer piada de mau gosto falar
em pesquisa desenvolvida por professores na escola. Com raríssimas exceções, a
pesquisa educacional brasileira está, sem dúvida alguma, concentrada nas
universidades. Por meio desses e de uma série de outros exemplos, é possível
afirmar que a pesquisa-ação não tem conseguido alterar as relações de poder
entre acadêmicos e profissionais quando a questão é definir o que realmente
conta como pesquisa educacional.
Zeichner sugere três estratégias principais para
romper com essa separação: por meio do envolvimento dos profissionais das
escolas em discussões sobre o significado e a importância das investigações
desenvolvidas nas universidades e demais instiuições de pesquisa; por
intermédio do desenvolvimento de projetos de pesquisa em colaboração com os
professores nas escolas em que velhos modelos hierárquicos são realmente
superados; e, finalmente, por meio do apoio a projetos de pesquisa-ação
desenvolvidos pelos educadores, levando muito a sério o conhecimento produzido
nesse processo.
A pesquisa-ação tem o potencial de
contribuir fundamentalmente para o refazer da escola como instituição,
melhorando suas relações com a comunidade e promovendo uma educação de alta
qualidade para todas as crianças, jovens e adultos. Por isso, defendemos a
legitimidade e a importância de os professores e os formadores de professores
controlarem suas próprias práticas em vez de os políticos, os profissionais de
gestão escolar e educacional e os administradores externos fazerem isso.
Gostaríamos de concluir chamando a
atenção da comunidade internacional de profissionais envolvidos em
pesquisa-ação para que conectemos nossas investigações ou nossos trabalhos como
facilitadores de pesquisa-ação com o duplo objetivo de compensação pessoal e
reconstrução social. Do contrário, corremos o risco de reforçarmos uma
segmentação que atualmente já nos divide.
Por um lado, temos a glorificação da
compensação pessoal como um fim em si mesma e,
que nega a responsabilidade social. Por outro lado, existem aqueles que
defendem mais vigorosamente a exploração das implicações sociais e políticas da
pesquisa-ação de sala de aula e que esta deveria ser desenvolvida de maneira a
enfatizar a investigação nas escolas e nas comunidades ao seu redor, para
confrontar as políticas e estruturas institucionais. Defende-se ainda um tipo
de pesquisa-ação que diretamente desafie os "guardiões" do que é
considerado a "verdadeira" pesquisa educacional. Claro que essas
ênfases devem ser apoiadas, mas não em detrimento da pesquisa-ação de sala de
aula e tão pouco da negação da importância do conhecimento acadêmico.
Embora sejamos comprometidos com os
valores e os princípios associados à pesquisa-ação (ou seja, democratizar o
processo de pesquisa e amplificar a voz dos profissionais na definição do curso
de políticas que afetam o seu trabalho cotidiano), estamos também empenhados em
associar pesquisa-ação a temas mais amplos como, por exemplo, o de tornar as
sociedades mais humanas e solidárias. Enfatizamos, desse modo, a necessidade da
pesquisa-ação ir além da retórica de se "dar voz aos profissionais"
para a definição e melhoria de seu próprio trabalho. Mesmo concordando que o
fato de se "dar voz aos profissionais" também seja algo importante,
sabemos que isso não é suficiente.
Precisamos também reforçar nossos
laços com os movimentos sociais de massa que trabalham para a promoção da
justiça social, econômica e política no planeta. Embora a pesquisa-ação possa
contribuir apenas com uma pequena parte dessas lutas, ela é parte importante.
Assim, como pertencentes a uma comunidade de pesquisa-ação, precisamos ter a
consciência pública e social mais ampla, explicitando nossos compromissos com
as lutas por um mundo em que todos tenham acesso a vidas dignas e decentes.
ENVOLVIMENTO
DOCENTE NA INTERPRETAÇÃO DO SEU TRABALHO: UMA ESTRATÉGIA METODOLÓGICA
A pesquisa tem
por objeto o trabalho docente, considerando sua natureza, configurações e
sentidos. Visa identificar e analisar as mudanças ocorridas na organização do
trabalho na escola e no exercício da profissão docente, com base nas reformas
implementadas nas redes públicas de ensino de Belo Horizonte e de Minas Gerais
desde 1990. Tais mudanças circunscrevem-se no quadro de reformas que os países
latino-americanos passaram a viver a partir dos anos 1980.
Parte-se do pressuposto
de que o trabalho docente compreende não só aquele realizado em sala de aula,
como também o processo que envolve o ensino e a aprendizagem e, ainda, a
participação do professor no planejamento das atividades, na elaboração de
propostas político-pedagógicas e na própria gestão da escola, incluindo formas
coletivas de realização do trabalho escolar e de articulação da escola com as
famílias e a comunidade.
A metodologia
adotada pauta-se no trabalho coletivo empreendido tanto pelos pesquisadores quanto
pelos sujeitos pesquisados. Isso pressupõe envolvimento dos professores no
processo de investigação não como meros informantes, mas como sujeitos
autorizados e estimulados a pensar sobre o seu trabalho, sobre as dificuldades
existentes e dispostos a contribuir para sua interpretação.
O envolvimento
dos sujeitos, professores, na análise de seu trabalho não retira, portanto, dos
pesquisadores a preocupação epistemológica a respeito do tratamento da
realidade analisada e a preocupação metodológica em torno da fundamentação
científica.
Acredita-se que
a produção do conhecimento tem um caráter interativo. O professor é sujeito do
processo em que se produz o conhecimento sobre ele.
A comunicação
desempenha um papel fundamental nesse processo e constitui o espaço no qual o
sujeito estudado vai amadurecendo e construindo, de forma coletiva e cada vez
mais complexa, sua expressão, condição essencial para o conhecimento que se
constrói.
Dentro da
abordagem qualitativa, utiliza-se como referencial a concepção dialética
segundo a qual o fenômeno ou processo social deve ser entendido nas suas
determinações e transformações dadas pelos sujeitos (Minayo, 1996, p.65). O
método dialético, para Triviños, é capaz de “assinalar as causas e
conseqüências dos problemas, suas contradições, suas relações, suas qualidades,
suas dimensões quantitativas, se existem, e realizar, através da ação, um
processo de transformação da realidade, que interessa” (1987, p.125).
Para Frigotto
(1989, p.70-90), no materialismo histórico, o homem é produto do social e deve
ser considerado concretamente, ou seja, situado no tempo e no espaço, inserido
em um contexto histórico-econômico-culturalpolítico.
As interações
homem-mundo e sujeito- objeto são imprescindíveis para que o ser humano se torne
sujeito de sua práxis. Por sua vez, a educação é vista como uma atividade
mediadora no seio da prática social global. Em síntese, o materialismo
histórico permite o levantamento de questões sobre a construção da sociedade e
centra-se no conhecimento como fruto do contexto histórico.
A abordagem
qualitativa na perspectiva dialética mostrou-se a mais adequada para o alcance
dos objetivos propostos na pesquisa, considerando o objeto estudado.
Texto VII
1) Pesquisa-ação - objetivo: realização de diagnóstico da situação.
No campo
educacional, o objeto da pesquisa ativa era o envolvimento dos professores na
solução dos problemas das instituições escolares.
Etapas
da pesquisa-ação
•• fase de
definição do problema, da escolha da instituição, das informações preliminares
disponíveis;
•• formulação do
problema: a partir de definido claramente o problema, inicia-se uma série de
coletas de informações, documentais ou orais para definir melhores ações;
•• fase da
implementação de um plano de ação com os objetivos, as pessoas envolvidas, as
formas de execução e meios;
•• execução da
ação: deve ser acompanhada em todos os seus detalhes;
•• avaliação da
ação, dos resultados, que pode implicar a redefinição do problema, se
necessário, e até de um novo plano de ação;
•• continuidade
da ação: o resultado dos planos desenvolvidos e das soluções dadas requer a
discussão partilhada pelo grupo, de modo que haja solidariedade nas ações
escolhidas e em suas conseqüências.
A pesquisa
participativa distingue-se da pesquisa-ação, embora possua nela suas origens.
Segundo
Chiazooti (Ibidem, p.90):
“Ainda
que os nomes e meios utilizados sejam assemelhados, a pesquisa participante tem
como pressuposto, subjacente à sua história, a democratização da produção do
conhecimento e da sociedade e o desenvolvimento da justiça social.
Não
é um mero conjunto de métodos, meios e técnicas, mas se fundamenta em uma ética
e em uma concepção alternativa da produção popular do conhecimento, segundo a
qual as pessoas comuns são capazes de compreender e transformar sua realidade.
Trata-se
de um modelo e de um meio de mudança efetiva para a qual os sujeitos implicados
devem elaborar e trabalhar uma estratégia de mudança social.”
•
Thiolent (1980) entende ser a pesquisa-ação uma forma de
pesquisa participante, porém ela se delimita por uma ação específica, enquanto
a pesquisa participante centra-se nas relações político-sociais.
•
Pedro Demo (2004, p.16) argumenta que a pesquisa
pode ser baseada em dois princípios, não contraditórios: um científico
e outro educativo.
• O científico
vincula-se ao cuidado com a construção do conhecimento nos aspectos
metodológicos e epistemológicos.
Pesquisa-se para
fazer conhecimento.
• O princípio
educativo vincula-se ao valor pedagógico, educativo, formativo, à medida que
implica questionamento, consciência crítica, incentivo à formação do sujeito
capaz de fazer história própria, sustentação e autonomia crítica e criativa.
Importância
da pesquisa participante
•• Ela é
importante pelos seus aspectos metodológicos e epistemológicos, porém
acentua-se no segundo aspecto, porque o conhecimento é considerado como um
instrumento essencial para medidas profundas.
•• Ela é
importante porque vincula-se à imersão
prática, no sentido das comunidades não terem somente seus problemas estudados,
mas terem formas para resolvê-lo.
•• Ela é
importante porque uma das suas pretensões é contribuir para que as comunidades
se tornem sujeitos capazes de história própria, individual e coletiva.
Sujeito
e objeto da pesquisa participante
O objeto é o
sujeito em seu sentido pleno. A observação participante é parte do projeto que
adota a observação participante.
A pesquisa
participante e a Educação Popular possuem características comuns, segundo Jara
( In: Silva, 2000) porque:
•• são processos
de descoberta, criação e recriação de conhecimento;
•• assumem como
característica fundamental o conhecimento que os participantes vão adquirindo
com a experiência, buscando resposta às necessidades concretas de um grupo,
setor ou comunidade;
•• busca uma articulação
entre teoria e prática;
•• pretendem
eliminar ao máximo a distância entre sujeito investigador e objeto de
investigação, a distância entre sujeito educador e objeto da educação.
Grossi (In:
Demo, 2004) aponta os passos da pesquisa participante, objetivando a
conscientização, como utilizada por Paulo Freire:
•• crítica da
realidade social vigente, mobilização coletiva para a transformação social;
•• revisão
crítica da ação implementada;
••
replanejamento da ação futura;
•• reavaliação
do diagnóstico prévio da realidade social.
Quanto aos
critérios formais esta proposta científica, da pesquisa participante, necessita
ser:
•• Coerente -
manter relação entre os conceitos, as categorias-chave, ter começo- meio e fim;
•• Sistemática –
necessita dar conta do tema com profundidade, estudando a questão por diversos
ângulos, revendo autores e teorias;
•• Consistente-
necessita argumentar, buscar explicações, além das descrições, da acumulação de
fatos e constatações;
•• Original-
precisa inovar, não sendo reprodutivo;
•• Objetivada -
captar a realidade, evitando submissões ideológicas e preconceitos;
•• Discutível- o
texto precisa ser discutido, argumentado, contra argumentado tanto por
simpatizantes quanto por adversários.
Em relação aos
critérios políticos, Pedro Demo lembra que a pesquisa deve considerar:
•• acordo
intersubjetivo - o embasamento científico possa ser comunicado e entendido por
todos;
••
reconhecimento da autoridade por mérito - o argumento de mérito é aquele que a
comunidade respeita a competência técnica do pesquisador e o pesquisador, a
experiência de vida da comunidade;
•• relevância
social - capacidade de propor soluções inteligentes e criativas;
•• ética- um dos
aspectos fundamentais que envolve um saber pensar juntos.
Texto
VIII
A pesquisadora
Maria Cecília Minayo (1996) ressalta que durante a escrita do projeto de
pesquisa, que é a tentativa de um recorte da realidade, existem pelos menos
três dimensões.
•• A primeira é
a dimensão técnica que trata das normas estabelecidas pela ABNT.
•• A segunda
dimensão é a ideológica relacionada com as escolhas do pesquisador.
Um projeto de
pesquisa é fruto de um processo e deve responder a algumas perguntas. A partir
dos estudos de Barros e Lehfeld (1986) e Rudio ( 1986), Cecília Minayo
apresenta em que partes textuais do projeto algumas respostas serão dadas ao seu
problema de pesquisa.
O
que pesquisar?
- Na etapa da
definição do problema, na hipótese, nas bases teóricas e conceituais.
Por
que pesquisar?
- Justificativa
da escolha do problema
Para
que pesquisar?
- Propósitos de
estudo, seus objetivos
Como
pesquisar?
-
Metodologia
Que
perguntas um projeto deve responder?
Quanto
tempo para cada etapa?
- Cronograma de
execução
Com
que recursos ou fontes de financiamento?
Pesquisado
por quem?
Equipe de
trabalho, pesquisadores, coordenadores, orientadores
O que é ABNT?
A Associação
Brasileira de Normas Técnicas é a entidade oficial responsável pela discussão e
edição de normas técnicas no Brasil. É a representante no país da International
Organization for Standardization (ISO). Neste sentido a ABNT preocupa-se com a
normalização de produtos e serviços.
O que é
Normalização?
Atividade que
estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições
destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo
de ordem em um dado contexto.
Você sabia que o
símbolo internacional de acesso a pessoa com deficiência é uma norma técnica?
NBR 9050
Texto
IX
Você percebeu a
importância social da ABNT, pretendendo normatizar padrões, em diversos campos
de conhecimento. No campo científico esta normatização é importante para que os
diversos pesquisadores possam apresentar suas contribuições de uma forma padronizada.
O texto científico difere do texto literário e possui padrões que devem ser
seguidos. É claro que estes padrões não invabilizam o autor do texto produzi-lo
dentro de sua forma peculiar de escrita, de sua originalidade e criatividade.
O QUE É PROJETO?
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, projeto é a descrição da
estrutura de um empreendimento a ser realizado. O projeto é uma das fases da
pesquisa que corresponde à descrição de sua estrutura.
Segundo Andrade
(1999), o esquema básico de um projeto deve conter nove aspectos essenciais:
• Titulo do
trabalho ou tema
• Delimitação do
assunto
• Objetivos
• Justificativa
• Universo da
pesquisa
• Metodologia
• Cronograma
• Orçamento
• Referências
Bibliográficas
A estrutura do
projeto apresentam três características
1.
Elementos pré-textuais
2.
Elementos textuais
3.
Elementos pós-textuais
1.
Elementos Pré-textuais
São os que
antecedem o texto, com informações que ajudam a identificar e compreender o
trabalho.
1a)
Capa: deve apresentar as informações na seguinte ordem:
a) nome da
entidade para a qual o projeto será submetido;
b) nome (s) do
(s) autores;
c) título;
d) subtítulo (se
houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título, precedido de
dois-pontos (:), ou distinguido tipograficamente;
e) local
(cidade) da entidade, onde será apresentado;
f) ano de
entrega.
2
- Folha de rosto: Elemento obrigatório. Apresenta as
informações transcritas na seguinte ordem:
a) nome dos
autores;
b) título;
c) subtítulo (se
houver, deve ser evidenciada a sua subordinação ao título, precedido de dois
pontos (:), ou distinguido tipograficamente;
d) local;
f) ano de
entrega;
Quando houver
exigência da instituição, apresenta-se o currículo dos autores.
3
- Lista de ilustrações – é um elemento opcional. Se houver,
deve ser apresentada de acordo com a forma que aparece no, acompanhando o
número das páginas.
4
- Lista de tabelas - é um elemento opcional e pode ser
apresentada de acordo com a apresentação no texto.
5
- Lista de abreviaturas e siglas - é um elemento
opcional, em ordem alfabética das abreviaturas e siglas usadas no texto e
seguidas das palavras ou expressões por extenso. Por exemplo:
• CONADE -
Conselho Nacional de Defesa de Direitos do Deficiente
• CORDE -
Coordenadoria para Integração da Pessoa Deficiente
• NEE -
necessidades educativas especiais
• DF -
deficiência física
6
- Lista de símbolos - se houver.
O
sumário é um elemento obrigatório.
Elementos
textuais e estrutura do projeto
No capítulo
passado você identificou os objetivos da ABNT e iniciou o estudo da norma ABNT
NBR 15287:2005 que trata da elaboração do projeto de pesquisa. Segundo esta
norma, os elementos textuais são constituídos por uma parte introdutória, na
qual deverão ser expostos o tema do projeto, o problema a ser abordado, a(s)
hipóteses, quando couber(em), bem como o(s) objetivo(s) a ser(em) atingido(s) e
a(s) justificativas. É necessário que sejam indicados o referencial teórico que
o embasa, a metodologia a ser utilizada, assim como os recursos e o cronograma necessários
à sua consecução.
A Introdução tem
por finalidade apresentar o projeto, definindo brevemente os objetivos, as
razões de sua realização, o enfoque que será dado ao assunto e sua relação com
outros estudos.
A introdução,
segundo Andrade (1999), anuncia o tema do trabalho, esclarece o assunto,
delimita a extensão do enfoque a ser dado, aponta objetivos e relevância do
estudo.
Fazem
parte da Introdução:
1
- Justificativa
Justificar
significa demonstrar, legitimar, provar, fundamentar, dar razão a, provar a boa
razão de um procedimento.
As respostas
dadas às seguintes perguntas servem para estruturar a justificativa.
• Quais os
fatores que determinaram a escolha do tema?
• Qual a relação
com a experiência profissional do autor?
• Qual a
vinculação do projeto com as linhas de pesquisa da instituição?
Chegamos à
última etapa da introdução que são os objetivos da pesquisa. Eles devem ser
esclarecidos com termos claros e precisos.
Recomenda-se
utilizar verbos de ação:
• Identificar =
estabelecer a identidade
• Verificar =
averiguar
• Descrever =
narrar, expor, contar, detalhar
• Analisar =
fazer análise de, investigar, decompor
Metodologia
Esta etapa
dependerá dos procedimentos que cada autor do projeto escolherá para investigar
seu problema, considerando o tipo de pesquisa que será adotado entre as
seguintes:
• Pesquisa
bibliográfica
• Participante
• Pesquisa- ação
• Estudo de caso
• História de
vida
A escolha de uma
metodologia de pesquisa ainda depende da definição da população e amostra e dos
dados que serão coletados.
População
e amostra
Refere-se a
informações acerca do universo a ser estudado, o tipo de amostra a ser
selecionada. Por exemplo, no estudo da Professora Joanna, ela pode decidir
estudar professores de classe regular do Ensino Fundamental, mas para isso
precisa determinar qual será sua amostra, caso o estudo fosse a resposta a um
questionário. Se a metodologia de investigação for o estudo de caso de uma
escola de ensino fundamental com a modalidade sala de recursos, sua amostra
será a própria instituição.
Coleta
de dados
É a descrição
dos procedimentos a serem adotados para análise. Você já realizou exercícios
anteriores sobre formas de coleta de dados, relacionados a determinados tipos
de pesquisa.
Cronograma
de Execução
A elaboração do
Cronograma de Execução define o tempo necessário a cada etapa da pesquisa. Pode
ser apresentado através de um quadro onde conste para cada etapa do projeto o
tempo destinado. Por exemplo: dois meses para revisão bibliográfica, dois meses
para organização do material e escolha da amostra a ser estudada, três meses
para estudo de campo e coleta de dados, um mês para análise de dados, outro
para redação final.
PROJETO TEM
CONCLUSÃO?
O projeto, como
o próprio nome indica, ainda é uma parte inicial de sua monografia. Após a
aprovação dele, você aplicará sua pesquisa, analisará os dados e somente no
corpo final de sua monografia haverá a conclusão. Seu trabalho final terá
então: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.
1. Título:
2. Delimitação
do Assunto
3. Objetivos
4. Justificativa
5. Universo da
Pesquisa
6. Metodologia
7. Cronograma
8. Orçamento
9. Referências
Bibliográficas (você estudará napróxima unidade)
Texto
X
Gil
(2002) apresenta sete características que o texto do projeto deve conter:
1)
Impessoalidade - evitar referências pessoais como “meu
projeto”, “meu estudo” e “minha tese”. Preferir; “este projeto”, “o presente
estudo”.
2) Objetividade - linguagem direta, com
seqüência e as argumentações devem apoiar-se em dados e provas.
3)
Clareza - evitar ambigüidades com vocabulário adequado, sem
expressões de duplo sentido, palavras supérfluas ou rebuscadas.
4)
Precisão – utilizar nomenclatura própria da área de estudo,
evitar o uso de adjetivos que não indiquem proporção clara, como pequeno, médio
e grande; ou expressões vagas, quase todos, uma boa parte. Evitar também
advérbios que
não indiquem adequadamente tempo, modo e lugar, como recentemente, antigamente,
algures, alhures, provavelmente.
5)
Coerência - organizar o texto em uma seqüência lógica. Os
parágrafos devem se suceder de forma harmoniosa, com relação e fluência. Cada
parágrafo deve se referir a um único assunto e iniciar com uma frase que
contenha a idéia núcleo.
6)
Concisão - o texto deverá expressar as idéias com poucas
palavras. Cada período deve possuir no máximo duas ou três linhas. Dever-se
evitar períodos longos com várias orações subordinadas. Preferir a estrutura
sujeito, verbo e adjetivo principal para facilitar a mensagem.
7)
Simplicidade – Escrever para se expressar e não para
impressionar. Evitar uso de jargões e palavras desnecessárias.
A apresentação
do texto também segue alguns critérios:
•• Papel branco
formato A4 (21 x 29,7);
•• Espaço dois
ou três entre as linhas;
•• Passagem de
parágrafo pode ser ampliada;
•• Margens: 3 cm
para superior e a esquerda e 2 cm para superior e a direita;
•• No início do
parágrafo espaço de 10 toques;
•• As páginas
devem ser numeradas a partir da segunda página do sumário;
•• Cada uma das
partes recebe um título que dever aparecer em caixa alta e os subtítulos
somente a primeira letra em maiúsculo e as dos nomes próprios.
Exemplo:
1 TÍTULO
PRINCIPAL – seção primária
1.1. Subtítulo –
seção secundária
1.2 Subtítulo
1.2.1 Subtítulo
– seção terciária
A disposição do
texto segue as etapas estudadas anteriormente:
Capa – Folha de
Rosto – Lista de Ilustrações ( tabela, quadro, gráficos) – Sumário – Introdução
– Revisão bibliográfica – Metodologia – Suprimentos – Custos – Anexos e / ou
Apêndices.
Qual a diferença
entre apêndices e anexos?
Apêndices são
documentos de conteúdo elaborado pelo autor do projeto. Ex: questionários,
roteiros de entrevistas e de observação. Anexos são tabelas, quadros, mapas e
outros documentos que não foram elaborados pelo autor. Cada apêndice ou anexo
deve ser identificado por letras maiúsculas consecutivas aos seus títulos.
Fique atento a
algumas definições importantes:
Citação é a
menção de uma informação extraída de outra fonte.
Citação de
citação é uma citação direta ou indireta de um texto a cujo original não se
teve acesso.
Citação
direta é a transcrição textual de parte da obra do autor consultado
Citação
indireta é o texto baseado na obra do autor consultado
Notas
de referência são as que indicam fontes consultadas
ou remetem a outras partes da obra onde o assunto foi abordado
Notas
de rodapé são indicações, observações ou aditamentos ao texto
feitos pelo autor, tradutor ou editor, podendo também aparecer na margem
esquerda ou direita da mancha gráfica
Notas
explicativas são as usadas para comentários, esclarecimentos
ou explanações, que não podem ser incluídas no texto.
Regras gerais
para apresentação das citações:
As citações pelo
sobrenome do autor, pela instituição responsável ou título nas sentenças devem
ser com letras maiúsculas e minúsculas e, quando estiverem entre parênteses
devem ser em letras maiúsculas.
As
citações diretas no
texto de até três linhas devem estar contidas entre aspas duplas. As aspas
simples servirão para citação dentro da citação.
As
citações diretas no texto com mais de três linhas
devem ser destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que
a do texto utilizado e sem aspas.
E quando as
referências forem notas de aulas ou palestras?
Quando forem
dados obtidos por informação verbal (palestras, debates, comunicações, etc)
deve ser indicada entre parênteses a expressão verbal, mencionando-se os dados
disponíveis, em nota de rodapé.
Quando houver
coincidência de sobrenomes de autores, acrescentam-se as iniciais de seus prenomes,
se persistir a coincidência,colocam-se os prenomes por extenso: Exemplos:
(FERNANDES,
Eulália, 1987)
(FERNANDES,
Edicléa, 2000)
Quando um autor
possuir vários documentos no mesmo ano as referências são acrescidas com letras
minúsculas em ordem alfabética. Exemplos: De acordo com Fernandes (2006 a) (FERNANDES,
2006 b)
Citações
indiretas de vários documentos da mesma autoria, publicados em anos diferentes
e mencionados simultaneamente, têm as datas separadas por vírgula. Exemplo: (FERNANDES,
1999, 2000, 2006)
Se as citações
indiretas de diversos documentos forem de vários autores, mencionados
simultaneamente, devem ser separados por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética. Exemplo:
Diversos autores apontam para a importância das adaptações curriculares no
processo de inclusão de alunos com necessidades educativas especiais
(FERNANDES, 2000; ORRICO, 2004; REDIG, 2005).
Correlacione numericamente as duas colunas
identificando cada uma das cinco perguntas com a etapa da pesquisa relacionada,
ao final de sua tarefa dois parênteses não serão numerados:
1- O QUE
PESQUISAR?
2- POR QUE
PESQUISAR?
3- PARA QUE
PESQUISAR?
4- COMO
PESQUISAR?
5- QUANTO TEMPO
PARA CADA ETAPA?
(2)
Justificativa da escolha do problema.
(4) É a
metodologia que auxiliará a responder esta etapa.
( ) É a revisão
bibliográfica que responde esta etapa
(3) Esta
pergunta vincula-se aos propósitos do estudo e seus objetivos.
(5) O cronograma
de execução responde esta etapa.
(1) Esta
pergunta relaciona-se à etapa da definição do problema, na hipótese, nas bases
teóricas e conceituais.
( ) Esta
pergunta vincula-se ao resumo do projeto
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